Relação de irmãos é uma coisa complexa. Não há dúvidas de que a chegada do Vicente alegrou o coração do Augusto. Viquinho foi um bebê muito desejado e bem recebido em seus primeiros momentos no mundo. Gutão, desde a gravidez, sempre demonstrou muito amor pelo irmãozinho que ia “ganhar” e, quando ele saiu do barrigão, virou alvo de beijos, cuidados, proteção.
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Então, é assim: Vicente vai dormir pelas nove da noite, calmo e sorridente, todo santo dia. Toma leitinho sentado em sua caminha e depois dá aquela enrolada básica até Morfeu capturá-lo de uma vez. Eu ou o Rô ficamos ali, sentadinhos da beirada da cama, sem pegá-lo no colo. Fazemos carinho, cantamos um pouquinho, e logo ele se entrega. A questão é que, dali a três horas, o louro acorda. Tem dias em que dá só uma resmungada e basta ir lá e catar a chupeta que ele volta a dormir mais um pouco até chamar outra vez. Tem dias, no entanto, em que o bichinho sai da cama sozinho, todo descabelado, e vem caminhando encontrar a gente na sala ou no quarto ou na cozinha, enfim, onde houver uma luz acesa! Nesses dias de perambulação, é difícil levá-lo de volta pra caminha dele. O que ele quer mesmo é dormir com a gente. Chega a apontar nosso quarto com seu dedinho gorducho.
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Um ano atrás, véspera de carnaval, começava nossa saga da tosse coqueluchóide. Viquinho teve o primeiro acesso de tosse, de perder o fôlego, na sexta, um dia antes do Sábado de Zé Pereira, que pretendíamos passar em Recife. Foram seis meses de tosse, hospital, oxigênio…e muita agonia.
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E Gutão me disse ontem à noite, entre uma escovada nos dentes e uma pausa pra esfregar os olhinhos vermelhos de sono: “Eu tou me sentindo muito sozinho na escola nova”.
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De diversas maneiras, há algum tempo, a vida tem me mostrado que o “aqui-agora” tem que valer a pena. Seja na família, seja no trabalho, seja com os amigos, seja no “eu comigo mesma”. É um aprendizado nem sempre leve, nem sempre fácil, mas é urgente.
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