Agosto de 2004
Terça-feira, Agosto 31, 2004
Resumão
Tenho vontade de registrar mil e umas, mas o tempo não tem me permitido escrever aqui tanto quanto eu gostaria. Hoje, portanto, vou fazer diferente, vários comentários em um só.
- Gutão precisa de roupa urgentemente. Quando me diziam que criança perde rápido, eu não imaginava que era de uma semana pra outra! É isso que tem acontecido com o guarda-roupa (abarrotado) do menino. Macacão com pé ficou no passado. Tudo cresceu; o pé, especialmente. Ele ainda usa algumas, poucas, peças tamanho P (calças sem pé). A maioria, no entanto, aperta o barrigão. Estamos, pois, à volta com peças M. E eu descobri que reina o samba-do-crioulo doido quando o assunto é numeração de roupas para bebês. Outro dia, comprei uma calça que dizia “de seis a oito meses” na etiqueta. Cheguei em casa e nova descoberta: se tivesse deixado pra provar dois dias depois (naquela ocasião nem cinco meses ele tinha), o investimento teria sido inútil. Tive que comprar algumas camisetas também, pois o calorão deu as caras e eu percebi que Gutão tá todo equipado pro frio, mas esquecemos de prepará-lo pra exibir suas dobrinhas ao sol. E lá vamos nós fazer excursão à ponta-de-estoque da Green em breve, oba!!
- Gutão já fica de bruços sem reclamar. Faz uma baita força pra manter a cabeça ereta, mas, com ajuda, arrisca até umas engatinhadas em busca do seu macaco Caco. Sim, ainda é preciso motivar o menino a experimentar as novas posições. Ele gosta mesmo é de ficar com a barriga pra cima, virando de um lado pro outro. Vira tão rápido que, se bobear, já tá no chão. Atenção redobrada, pois. Ah, também descobri que o mocinho praticamente já senta sem apoio. Foi domingo, no berço. Ele ficou ali, uns dez segundinhos, olhos nos olhos com seu boneco Leleco. Gritei pro Rô pra ele presenciar a cena, mas o tempo que ele levou pra chegar ao quarto foi o suficiente pro menino cansar e cair pra frente. Tadinho!
- Com Gutão não tem tempo ruim. E olha que a vida social dele anda agitada. Basta o desconhecido fazer uma gracinha pro menino abrir o sorriso e estabelecer contato (claro que,antes, ele lança um olhar fulminante, avaliando bem o(a) fulano(a) em questão…). Tem rolado interação mesmo quando o desconhecido não é humano. Dia desses, Gutão conheceu um gato de verdade, o L’occhio, que vive na casa do seu amigo Antonio. Também visitou um cachorro. Um, não, dois: a Glória e o Geraldo, um casal de buldogues muito figuras. Bom, não houve um contato assim próximo, pois o menino tava com sono e os bichos, doidos pra fazer bagunça. Teve um momento engraçado, no entanto: Gutão dormindo na cadeirinha, tranquilão, e Geraldo solta um “au” daqueles. O menino arregala os olhos de susto, dá uma espiada no ambiente e…volta a dormir, para alegria geral do pai, da mãe e dos donos da casa!!!!
- Gutão quer comida. Comida, comida, de verdade. O cardápio suquinho, frutinha, NAN e leitinho da mamãe parece que não está dando conta de saciar o menino. E olha que ele tem mamado super bem nas três vezes em que ofereço o peito durante o dia. Eu percebi que quando a gente senta à mesa pra comer e ele tá junto não desgruda os olhinhos do nosso prato. Fica boquiaberto, literalmente, com o ir-e-vir dos talheres. Alguém me disse, aliás, que essa curiosidade é o primeiro sinal de que o nenê está pronto pra ampliar o cardápio. Bom, Gutão tem tomado suco de laranja-lima, acerola ou maracujá diariamente. Fez cara feia pra esses dois últimos, já que não são tão docinhos (seguindo orientação da pediatra, a gente usa o Dextrosol pra dar uma adoçada), mas não rejeitou. Também come um pedaço de uma banana, de uma pêra ou de um mamão todo santo dia. E a novidade é que não se suja mais, pasme. Quando vê a colherinha chegando, abre o maior bocão! Vou dar uma ligadinha pra dra.Ketty pra saber se já é hora de oferecer uma sopinha ou um mingauzinho à noite, antes do último mamá. Enquanto isso, fiquem com as caras e bocas dele na hora de “devorar” bananas!!!
posted by JULIANA DE MARI 4:45 PM
Segunda-feira, Agosto 30, 2004
De onde viemos
Faltam seis dias pro grande encontro: Gutão, finalmente, vai vivenciar a experiência de ter os quatro avós por perto. Vovó Lilica e vovô Zeca, vindos de Porto Alegre, e vovó Ju e vovô Albertino, de Recife, chegam sábado pela manhã a Sampa, um dia antes do batizado do pequeno. Coincidentemente, aterrissam praticamente no mesmo horário e no mesmo aeroporto. Ou seja, vão chegar em excursão lá em casa!!! Gutão, centro das atenções que é, vai passear de colo em colo. Ah, e, finalmente, vai tomar banho com o vô Albertino!!
Tou feliz, feliz pelo meu filhote. Coisa bem boa ser nutrido com esse amor. Fica aqui minha homenagem a quem começou com toda essa história, pois.“Netos são como herança.
Você ganha sem merecer.
Sem ter feito nada para isso, de repente lhe caem do céu…
É, como dizem os ingleses, um ato de Deus. Sem se passarem as penas do amor, sem os compromissos do matrimônio, sem as dores da maternidade.
E não se trata de um filho apenas suposto.
O neto é, realmente, o sangue do seu sangue, filho do filho, mais filho que filho mesmo…Cinqüenta anos, cinqüenta e cinco…
Você sente, obscuramente, nos seus ossos, que o tempo passou mais depressa do que se esperava.
Não lhe incomoda envelhecer, é claro.
A velhice tem suas alegrias, as suas compensações: todos dizem isso, embora você, pessoalmente, ainda não as tenha descoberto, mas acredita.
Todavia, também, obscuramente,também sentida nos seus ossos, às vezes lhe dá aquela nostalgia da mocidade.
Não de amores com suas paixões: a doçura da meia idade não lhe exige essa efervescência.
A saudade é de alguma coisa que você tinha e que lhe fugiu, sutilmente, junto com a mocidade.
Bracinhos de criança.
O tumulto da presença infantil ao seu redor.
Meu Deus, para onde foram as suas crianças?
Naqueles adultos cheios de problemas que hoje são os filhos, que tem sogro e sogra, cônjuge, emprego, apartamento e prestações, você não encontra de modo
algum as suas crianças perdidas.São homens e mulheres – não são mais aqueles que você recorda.
E então, um belo dia, sem que lhe fosse imposta nenhuma das agonias da gestação ou do parto, o doutor lhe coloca nos braços um bebê.
Completamente grátis.
Nisso é que está a maravilha.Sem dores, sem choro, aquela criancinha da qual você morria de saudades, símbolo ou penhor da mocidade perdida.
Pois aquela criancinha, longe de ser um estranho, é um filho seu que lhe é devolvido.
E o espantoso é que todos lhe reconhecem o seu direito de o amar com extravagância.
Ao contrário, lhe causaria espanto, decepção se você não o acolhesse com todo aquele amor recalcado que há anos se acumulava desdenhado no seu coração.
Sim, tenho a certeza de que a vida nos dos dá netos para nos compensar de todas as perdas trazidas pela velhice.
São amores novos, profundos e felizes, que vem ocupar aquele lugar vazio, nostálgico, deixado pelos arroubos juvenis.
E, quando você vai embalar o menino ele, tonto de sono abre o olho e diz : “Vó”, seu coração estala de felicidade, como pão no forno !”
(Raquel de Queiroz)
posted by JULIANA DE MARI 12:36 PM
Sexta-feira, Agosto 27, 2004
Um dia especial
“Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo,
mas com tamanha intensidade, que se petrifica,
e nenhuma força jamais o resgata.”
(Carlos Drummond de Andrade)Deve ser isso o que chamam de felicidade: sentimento que faz a gente sorrir pelos olhos. Eu tou me sentindo assim, toda sorrisos. O povo diz, aliás, que ando com a “cara boa”. Definitivamente, muita coisa mudou desde aquele 27 em que o meu amadinho saiu do barrigão. Mudaram coisas prosaicas. Nunca pensei que acordar cedo ia me fazer tão bem, por exemplo. Mudaram coisas profundas. Embora sempre tenha desejado, nunca pensei que ia desempenhar com tanta serenidade o papel de mãe. Tou feliz, realizada, me sentindo amada, amando. Ou seja, tou exatamente do jeitinho que pedi a Deus!
E parece que Deus tem ouvido minhas preces com carinho. Gutão chegou com data marcada, cinco meses atrás, um pouquinho antes da hora, é verdade. Chegou mais magrelo, mas muito mais forte, que o esperado. Chegou pra botar freio na sangria desatada que era o nosso dia-a-dia: tudo pra ontem, tudo correndo, tudo-muito-a-toda-hora. Taí, tou construindo uma relação diferente com o tempo. Fazer escolhas implica nisso: liberar espaço pro que realmente importa. Eu escolhi ter um filho agora. Tava lendo sobre isso, aliás, na Vida Simples deste mês (matéria de capa, muito bem editada pelo talentoso Vergara): que muita gente reclama que não tem nem cinco minutos livres na agenda — mas que, quando eles aparecem, tratam de arrumar um compromisso pra preencher o buraco. Sabe que eu tenho feito exatamente o contrário? Quero mais e mais buracos na agenda. Se eles não existem, dou um jeito de inventar. Graças a isso, tou aprendendo a ser mais flexível, mais produtiva, mais firme. Quero tempo pra cuidar de mim e dos meus — e faço questão de um tempo sadio.
Não fico contando o tempo no relógio, não. Não é disso que se trata. Tou falando de intensidade. O tempo que passo com meu Gutão na hora do almoço, aqueles instantes em que, enquanto ele mama, eu tiro uma soneca, abrem uma janela de renovação enorme no meu dia. Quando estou com ele, estou só ali. Não penso no trabalho que ficou pela metade, nem na reunião que me espera depois. Volto pro trabalho conectada com meus valores, ligada às razões que me fazem seguir em frente. E o relógio anda depressa quando a gente tem motivos pra voltar pra casa, acreditem. Quando vejo, já é hora de flagrar o sorrisão banguela do meu Gutão outra vez, antes de Morfeu fazer cosquinhas nos olhinhos dele.
Tou me sentindo inteira nessa história. Não sou perfeita (e cada vez mais aceito essa condição) — e certamente alguma coisa vai me escapar (e me escapa) nessa vida de mulher emancipada! Mas eu também não quero mais controlar as coisas (não, não é assim tão fácil desencanar, mas eu tou tentando…). Quero continuar fazendo escolhas e sentindo que uma coisa puxa a outra, pro bem ou pro mal. Aí entra a terapia, eu comigo mesma, minha higiene mental, espaço pra cutucar minha sombra e descobrir o que realmente vale a pena. Eu quero muitos papéis, mas luto por uma atuação coerente.
Tou me sentindo leve. E devo isso, em grande parte, a um menininho que, além de dormir a noite inteira, adorar uma farra e não ter frescura pra comer, é lindo, simpático, alegre e muito esperto — e veio com um extra de determinação (vocês bem lembram de como foi difícil engatar a amamentação…) e de tranquilidade (eu vou e volto e meu Gutão tá lá, sereno, sorrindo pelos olhos). Que ninguém duvide desse Pirata. Ele chegou pra navegar ondas gigantes. E transformar nossa vida pra muito melhor.
Feliz cinco meses, meu amor!
posted by JULIANA DE MARI 7:16 PM
Quinta-feira, Agosto 26, 2004
A primeira namorada
Lara nasceu. Como sogra empolgada que certamente serei, já elegi a mocinha como a primeira candidata ao posto de namorada do Gutão (com o consentimento da mãe dela, minha querida Rachel, obviamente!). Dizem que é linda, cabelula e rosadinha. Eu acredito. Nasceu de parto normal, com 2,9kg e 49cm. Parabéns, Rachel!!! Muita saúde pra pequena. Gutão vai ficar aqui, contando os dias pra conhecer a queridinha pessoalmente.
posted by JULIANA DE MARI 7:09 PM
Segunda-feira, Agosto 23, 2004
Agenda lotada
O final de semana foi corrido pro nosso Pirata. Muitos eventos. Sabadão de sol e céu azul, primeiro compromisso: o parque. Gutão estreou novos modelitos. Macacão curto, pezinhos de fora e bonezinho — adorou! Estreou também nos cuidados com a pele. Copo de leite que é, saiu de casa com bloqueador solar, fator 60. Primeiro, tirou uma soneca no bebê-conforto. Depois, ficou lá, largadão na canga, concentrado na operação tira-e-bota (dedo ou chupeta ou qualquer outra coisa que esteja ao alcance da sua mãozinha!). Mamou tranquilão ao ar livre, deu boas gargalhadas e ainda teve pique pra nos fazer companhia na hora da almoço. Simpático do jeito que é, virou o centro das atenções na padaria, claro.
O segundo compromisso do menino foi em casa mesmo: visita de três tias gaúchas, amigas de infância do pai. Shá, Jan e Fê babaram no Rodrigo miniatura! Ele passeou de colo em colo, muito faceiro, e não fez beicinho nem quando o sono bateu. Só ficou meio espantado na recepção: as três paradas na porta, dando gritinhos felizes, e ele com aquela cara de “o que é que essas malucas estão fazendo aqui?”!!!!
Domingo, temperatura mais amena, veio o terceiro compromisso: visita ao pequeno Antonio, filho da Fabi e do Rui. Um lindinho, que, aos dois meses, já ‘fala’ pra caramba! Embora o ritmo dos meninos não estivesse muito ajustado (Gutão dormia, Antonio acordava; Gutão chorava, Antonio mamava), nosso Pirata gostou da companhia. Tanto que catou a mãozinha do pequenino na hora das fotos. Cena linda de se ver.
Lindo também foi ver o pequeno no colo das tias-avós. Foi no quarto compromisso do final de semana, aniversário do Lucas, filho do meu primo Artur. Chato foi a gafe que eu cometi. Levei presente pro menino errado. Comprei roupinha pro irmão mais novo, o Tiago! Quase tive um treco quando adentrei o buffet e dei de cara com um cartaz com o nome do outro!!!! Gutão nem se deu conta da confusão. Conheceu tios, primos, filhos dos primos e agregados com um baita bom humor.
O quinto, e último, compromisso do domingo foi à tardinha — com o mamão. Sim, o menino incluiu um suquinho e uma frutinha definitivamente no cardápio. A novidade é que já abre a boca quando vê a colherinha se aproximando, acreditam? E praticamente não faz mais sujeira, o que significa que come todo o mamão que oferecemos!!! Depois do mamão, a boa foi o mamá. E Gutão fechou o fim de semana pontualmente às nove da noite. Foi a deixa pro papai e pra mamãe aqui anteciparem o último compromisso do domingo: dormir!!!!!!!!!!!!!
posted by JULIANA DE MARI 10:04 PM
Quarta-feira, Agosto 18, 2004
Menu do dia
Gutão aprovou o mamão. Tá comendo frutinha desde o domingo passado. Eu e o Rô armamos o circo, digo, o cadeirão e ele, devidamente sentadinho, mandou ver no mamãozinho. De início, não sabia muito bem o que fazer com aquela coisa mole na boca. Obviamente, por reflexo, cuspiu tudo. Foi uma meleca das boas, mas valeu a pena. Lá pela quinta colherada, já tava abrindo o bocão sozinho! A pediatra recomendou mamão, pêra, banana e maçã. Como ele tá com o intestino meio devagar, vou deixar pra dar a prova dessas duas últimas mais pra frente. Amanhã é dia do pequeno descobrir as delícias da pêra. Tou seguindo a recomendação da dra.Ketty, partindo a fruta em quatro e oferecendo um pedaço só. Se ele gostar, vamos liberando mais aos poucos.
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Quando fiquei grávida do Augusto, pensei logo em como seriam as férias em família. Como eu e o Rô só temos um irmão cada um e como eles ainda não pensam no assunto ‘filhos’, achei que meu Gutão ia reinar sozinho nas areias de Boa Viagem. Que nada! As férias do pequeno em Recife, graças!, prometem ser das mais animadas. Duas primas estão “buchudas”. Fabiana, grávida de três meses, e Faustina, leitora assídua do blog, de duas semanas. A vocês, minhas queridas, uma gravidez tranquila, com direito a muitos mimos e muita energia positiva. Vou ficar aqui de longe torcendo pros babies chegarem com o principal: muita saúde.
posted by JULIANA DE MARI 9:05 PM
Terça-feira, Agosto 17, 2004
Quem canta os males espanta
Sempre gostei de cantar. Quando descobri que estava grávida, então, além de conversar diariamente com meu Gutão, passei a cantarolar musiquinhas tranquilas pra acalmar o pequeno na hora em que os soluços ou os pontapés se anunciavam. Agora, com ele aqui do lado de fora, o karaokê da Juju anda mais animado que nunca! Gutão adora as músicas do Palavra Cantada. Temos três cds deles: um pra hora de nanar, um pra hora de brincar e um com cantigas de roda tradicionais. Recomendo, com entusiasmo, a todas(os) os que pretendem educar seus filhotes também musicalmente. Além desses, figuram na discoteca do Gutão os cds do Castelo Rá-Ti-Bum (Meu pé, meu querido pé) e dos musicais Arca de Noé e Saltimbancos. A babá, por conta própria, agregou à lista um cd com “pérolas” da Eliana e da Xuxa. Ah, vai, não quero ser xiita! Toda criança tem direito ao seu momento ilariê!
Mas Gutão gosta mesmo é das composições de autoria do papai e da mamãe. É do Rodrigo o hit do momento: “Ah, pira, pirou, meu coração é do Gutãooooooooooo. Ah, pira, pirou, meu coração é tricolor!!”. O Rô canta de manhãzinha, quando vai trocar a primeira fralda do dia. Inventou até coreografia pra acompanhar a musiquinha: mexe os bracinhos do guri de um lado pro outro, bem de mansinho, e ele abre o banguelão, uma coisa! Já minhas composições, totalmente básicas, fazem um baita sucesso na hora de dormir. Repito a mesma ladainha todo santo dia, desde que o pequeno era realmente um bebezinho. Tem a do “Vamos fazer naninha, naninha do Gutão” e a do “Nana, Gutão do meu coração; Nana, meu Gutãooooooooo do meu coraçãoooooooooo”. Vou cantando baixinho, embalando o menino, fazendo carinho no rostinho dele e, quando vejo, pumba, 1X0 pra Morfeu!
O fato é que Gutão adora uma farra. Cantar, dançar e gritar fazem parte de suas atividades prediletas. Meu filhote, definitivamente, é um serzinho mui alegre e de bem com a vida. Puxou ao pai até nisso (não que eu não me considere alegre e de bem com a vida; sou, sim. Mas acordar bem humorada — antes das sete da matina! — tem sido uma das lições que meu amadinho e meu amadão mais têm me ensinado!!!!!).
posted by JULIANA DE MARI 10:24 AM
Domingo, Agosto 15, 2004
Adaptações
Gutão surpreende a cada dia. Até a pediatra. Sexta tivemos consulta e qual não foi a surpresa dela ao receber o menino de calça jeans e tricô e constatar que ele cresceu dois centímetros e engordou um quilo desde a última pesagem, mês passado!!! Pois bem, tá agora com 6,320 Kg e 60,5 cm. Feito nobre, considerando todo o perrengue do refluxo e a mudança no “cardápio”. Falando nisso, Gutão tá liberado pra provar suas primeiras frutinhas. Vamos de banana, maçã, pêra e mamão. Também vamos incrementar os suquinhos, passando a oferecer, além da laranja lima, os de maracujá e acerola. Se o Pirata aprovar, podemos até misturar as frutas e testar novos sabores. Como estou conseguindo manter três mamadas diárias, as sopinhas ficaram pro mês que vem, quando ele completar seis meses. Nem preciso dizer que tou animadíssima com essas novidades todas do filhote, né? Ontem, o programão foi sair pra providenciar os talheres, os pratinhos e o cadeirão do pequeno. Isso mesmo, Gutão vai comer frutinha devidamente sentadinho no seu cadeirão! Ele ainda não consegue ficar sentado sem apoio por muito tempo, mas nada que o cinto de segurança não resolva. Aliás, a dra.Ketty recomendou o uso do cinto no bebê-conforto e no carrinho também. Diz que a gente não pode bobear mais nem por um segundo (pena que não exista cinto pro trocador…Gutão adora fazer suas acrobacias justamente na hora de trocar a fralda!). É que agora, com a cabecinha mais firme e começando a querer sentar, o moleque certamente vai fazer força pra frente, daí já viu.
Quê mais? Sobre o refluxo, boas novas. Tiramos o Label pra ver como ele vai reagir. Vamos seguir com o Motilium antes das mamadas do peito, ou seja, três vezes por dia. Como ele tá mamando Nan, que é mais grosso, e vai passar a comer frutinhas, a tendência é que o refluxo só melhore. Ele ainda regurgita um pouco e, às vezes, reclama, mas tem arrotado com mais facilidade e não chora mais no peito, graças a Deus. A prisão de ventre continua, mas a médica explicou que é coisa da adaptação ao novo leite mesmo. Ontem ele ficou agoniadinho e nem com o supositório conseguiu fazer um cocozão. Hoje acordou chatinho e eu estimulei outra vez. Cinco minutos depois, um cheirinho sinistro no ar. Gutão fez tanto coco e tão fedido, mas tão fedido, que eu ainda não acreditei! Limpar só com algodãozinho não rolou. Tive que botar o moleque na banheira e lavar o bumbum com sabonete pra valer (ele já tinha tomado banho, mas adorou a volta à piscina). A alegria dele na água é um capítulo à parte. Além de bater os pés, ele agora descobriu que, devidamente instalado em sua cadeirinha de rei, pode bater as mãos! Ou seja, preciso forrar o chão do quarto com panos de chão pra hora do banho não virar uma inundação!
Tá muito sapeca, meu menino. Quer colocar tudo na boca, principalmente suas mãozinhas — e a dos outros. E como agarra forte, o danadinho! Domingão passado, dia dos pais, o Rô recebeu um carinho sui generis: enquanto se aproveitava das bochechas do filhote, o menino foi lá e crau no lábio dele! Ficou praticamente pendurado no coitado (ainda bem que eu havia cortado e lixado as unhas dele!!!!). Dia desses também descobriu o espelho — e se maravilhou com o que viu. Volta e meia, eu ou o pai o levamos pra frente do bendito e dizemos que vamos conversar com o “amigo do espelho”. Gutão escancara o sorriso banguela na hora e fica tentando encostar a mãozinha na mãozinha que vê refletida. Faz charminho, olha de lado, dá gritinhos e me procura do lado de cá pra compartilhar da alegria. Entender que aquele nenê rosado, meio careca (sim, ele perdeu completamente a cabeleira! Tá com uns penachinhos de um lado e do outro e com uns fios clarinhos em cima) e muito simpático é ele mesmo só daqui a alguns meses quando ele, de fato, começar a se reconhecer como um pequeno ser.
posted by JULIANA DE MARI 1:58 PM
Quarta-feira, Agosto 11, 2004
Recomeço
Muitas coisas acontecendo, muitas mudanças pra dar conta, muitas escolhas pra elaborar. Voltei ao trabalho na segunda à tarde — e tive uma sensação difícil de relatar. Ao mesmo tempo em que parece que nunca estive ausente, de tanta coisa que já me caiu no colo, parece que eu mudei tanto e tudo continua tão igual…
Mas deixa eu contar do que interessa, digo, de quem interessa. Gutão tem reagido muito bem a minha ausência. Brinquei com minhas amigas que ele é um menino muito independente — a mãe é que precisa aprender a se desligar sem fazer beiço! Bom, mas, no balanço da primeira semana, minha avaliação é que foi mais tranquilo do que eu imaginava. Dei conta de cumprir o planejado pra equilibrar a vida profissional e pessoal sem me estressar e sem sofrer mais do que o necessário. Planejei assim: eu e o pequeno (e o paizão dele, claro!) ficamos juntos pela manhã (ele tem acordado às 7h; mama, brinca, troca fralda e volta a tirar uma sonequinha básica), na hora do almoço (eu almoço, ele mama, a gente brinca e eu volto ao trabalho renovada) e à noite (dou a mamada das 20h30, ele brinca um pouco e logo capota pra só acordar na manhã seguinte). Claro que bate saudade, claro que bate aquela insegurança básica em relação aos cuidados que ele tá recebendo (coisas do tipo: como será que a babá tá fazendo pra acalmar ele?) e claro que bate ciúme da babá (será que meu Gutão ainda vai me reconhecer?). Nessas horas, eu fico repetindo meu mantra: fui eu que escolhi, fui eu que escolhi, fui eu que escolhi. E é isso, né, minha gente? Como diria minha terapeuta, eu tou presente de muitas formas na vida do meu Pirata. Não é só fisicamente. Tou presente na escolha da babá, na orientação dela, na organização da rotina e na preocupação com o bem-estar dele, enfim.
Gutão tá lindão. Mais sorridente e falante que nunca. Bate altos papos com a gente, grita a valer e tá começando a querer imitar os sons que a gente emite. Ah, o guri também aprendeu a tirar a chupeta da boca. Ele põe o dedo na alça e arranca a bendita na maior alegria. Só que ainda não tem muito jeito pra colocar de volta. Mas tá firme nas tentativas e, ontem, quase conseguiu. Depois de tentar e tentar enfiar a danada no nariz, acabou chegando à boca, mas a chupeta entrou de cabeça pra baixo!
Hoje é dia de consulta na pediatra. Claro que estamos curiosíssimos pra saber o quanto o pequeno engordou. Tá com queixinho duplo, barrigudo e com umas baita coxas grossas, precisa ver! Acho que vamos ter boas novas sobre o refluxo também. Ele não tem regurgitado além do normal e quase não reclama mais pra arrotar. A única coisa que mudou com a introduçao do Nan AR é que ele não tem feito mais tanto coco. Faz uma vez só, um cocozão, e priu. Teve alguns dias dessa semana, aliás, que precisei estimular com um supositório de glicerina. Tiro e queda. Nem tou muito encanada com isso, pois já me disseram que é assim mesmo, adaptação às novidades do “menu”. Mas deixa eu correr que a sexta ensolarada promete. Beijos a todos(as), brigada pelo carinho de sempre.
Ah, fiquem de olho na gente: amanhã vou postar fotos novas!
posted by JULIANA DE MARI 9:57 PM
Sexta-feira, Agosto 06, 2004
Ensaio
Hoje ensaiei a volta ao trabalho: fui participar da reunião de pauta da revista do mês que vem. Sai um pouco antes das 14h e voltei pra casa às 17h. Aproveitei que tava na rua pra me cuidar um pouco. Fiz a mão (tem coisa melhor do que fazer a mão? Eu me sinto inteiramente limpa). Cheguei e encontrei meu Gutão “conversando” com a babá na cozinha. Ela fazendo bolo. Ele, acomodado no carrinho, enfiando o dedão na boca (putz, será que vai vingar?). Me senti bem nesse ir-e-vir. Vai ser importante ter outros interesses, arejar a cabeça, estimular o intelecto. Tou tranquila com meus “papéis”, embora ainda esteja digerindo todas as mudanças que vêm junto com a maternidade. Meu senso de prioridade mudou — e eu tenho certeza que isso vai fazer diferença na hora de desempenhar meu papel profissional. Tou tranquila com meu Gutão. Meu filhote tá demonstrando que é mais adaptável do que imagino. Como diria minha terapeuta, ele tem suas próprias competências e recursos.
Gutão encarou duas mamadas de Nan hoje — e não reclamou. Tomou tudinho, o barrigudo. E no copinho. Definitivamente, vou ter que doar as mamadeiras todas que ganhei…Vou ficar com algumas de reserva, obviamente. Funcionam pra fazer a mistura do leite antes de oferecer pro menino. O suquinho também foi aceito sem problemas. Só ontem ele não quis tomar…É que, como a babá precisou ir embora na hora do almoço, resolvi dar o suco eu mesma à tarde. Não funcionou. Gutão tomou uns 30ml e, de repente, começou a reclamar muito. Ficou vermelho até. Tentei, tentei, e nada. À noite, liguei pra pediatra pra contar como ele tem reagido à medicação (melhorou bastante do refluxo, graças a Deus) e relatei o acontecido. Ela matou a charada na hora: “Ele não quis o suco porque foi você quem ofereceu”. Hãhã. Diz ela que toda vez que ele sentir o cheiro do meu leite é provável que rejeite a novidade. Bom, hoje tirei a prova dos nove. Pedi pra Marcia dar o suquinho no horário habitual, por volta das 11h30, antes da mamada do almoço. E não é que ele tomou os 80ml sem pestanejar???![]()
posted by JULIANA DE MARI 7:34 PM
Quarta-feira, Agosto 04, 2004
Flagrantes
Pois bem, hoje flagrei Gutão numa traquinagem daquelas. Tava lá o menininho, recém-acordado, todo esparramado no berço, concentradíssimo — enfiando o dedão na boca!! A cena me deu arrepios, obviamente. Até faço coro pra chupeta, mas pro dedão, ah, não! Fui lá e tirei o dito-cujo do bico ávido do Pirata na hora. A questão é que não sei quanto tempo faz que o danadinho descobriu a brincadeira. Só sei que hoje, durante a tarde, ele fez várias tentativas de enfiar o dedão na boca outra vez — e eu fiz questão de frustrar todas as que vi. Ofereci os chocalhos. Mas, pra falar a verdade, me deu peninha do Pirata. É que ele faz caretas horríveis quando tenta mastigá-los. Acho que são duros ainda pra suas gengivas banguelas…Bom, não deu chocalho, tentei negociar com as mãozinhas do menino. Em vez de um dedão anatômico, que tal o indicador? Sabe que ele, às vezes, faz isso mesmo: tasca o “dedo de apontar” na boca e fica cavocando lá dentro? Mui engraçado.
Hoje flagrei também, pela primeira vez, os movimentos de rotação do menino. Gutão descobriu que pode virar de um lado pro outro, levantando as pernas e fazendo alguma força. Ficou assim, de cá pra lá, mãos enfiadas na boca, soltando gritinhos de satisfação, quando o coloquei no tapete mágico no finzinho da tarde. Aliás, o pequeno gritou tanto, mas tanto, que fiquei até preocupada dele acordar “sem voz” amanhã de manhã!!! A falação rendeu até bate-papo ao telefone com os avós de Recife. Ficaram impressionados com a tagarelice do netinho, claro. E eles não viram nada. Quando chegarem pro batizado (dia 05 de setembro), é bem capaz do Gutão estar soltando seus primeiros vocábulos com sentido. Digo, sentido pros outros, né? Porque, pra mim, cada gritinho dele tem significado diferente. Tou virando expert em “angus”, “hums” e “grsss”. Tem aqueles mais melosos, querendo dizer “me pega no colo, vai”. Tem os irritadiços — “pô, essa música chata do móbile de novo?”. Tem os decididos — “preciso trocar minha fralda agora!” Ah, e tem os de chantagem — “ou vocês me dão atenção ou eu vou chorar tanto, mas tanto que todo mundo vai achar que vocês maltratam o coitadinho”.
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Recado pras amigas usuárias do Weblogger: não consigo deixar comentários pra vocês…De todo modo, estou sempre acompanhando a história das barrigas, dos bebês e das mamães, viu?
posted by JULIANA DE MARI 10:00 PM
Segunda-feira, Agosto 02, 2004
Primeiras vezes
Ontem, segunda-feira, foi mais um daqueles dias especias. Gutão tomou suquinho de laranja-lima pela primeira vez. Tomou tudo (80 ml!), no copinho. Fez um biquinho lindo, meteu a língua dentro do copo que nem gatinho e mandou ver. Ensaiou até segurar no copo e reclamou a valer quando viu que a novidade tinha acabado. Surpreendente esse meu Pirata. Não dá trabalho mesmo. A cada dia se mostra mais curioso, mais aberto às novidades. Domingão passado, aliás, fez mais uma estréia: tomar banho sentadinho na banheira. É que comprei um daqueles suportes pra não deixar o bebê escorregar e nunca tinha usado, pois achava que o guri era pequeno demais pra ficar esparramado ali. Agora, não. Gutão fica perfeitinho no suporte. Barrigão pra cima, faz pose de bacana — e dá-lhe bater as perninhas e jogar água no chão do quarto! Domingão, um dia depois de tomar vacina e sofrer um bocadinho por causa das picadinhas, também foi dia de inaugurar o tapete mágico fora de casa e de estrear o aprendizado da camaradagem: Gutão, de bom grado, compartilhou da brincadeira com seu aMiguel! Todas essas primeiras vezes foram devidamente registradas pela mamãe-um-pé-no-Japão-Juju, obviamente! Confiram os cliques abaixo (atenção ao detalhe da mãozinha do menino tentando empurrar a mão da Márcia, a babá, pra ver se o suquinho descia mais rápido, inacreditável!).
posted by JULIANA DE MARI 9:11 PM









