Jun 30, 2004
Juliana De Mari

Junho de 2004

Segunda-feira, Junho 28, 2004

Sobre o tempo


Ontem Gutão completou três meses fora do barrigão. Tá tão lindo, meu Pirata. Barrigudinho, bochechudo, falante, risonho. Tão presente.
Amanhã sou eu quem completo trinta e um anos de vida. Num caso e no outro, tenho a impressão de que o tempo tá mesmo passando depressa. Foi outro dia que meu menino chegou. Era tão pequenino que eu levantava com uma mão só…Também parece que não faz tanto tempo assim, ao menos na minha memória, que eu era aquela menininha romântica que sonhava em casar e ter filhos…
Definitivamente trintona, aqui estou: amando, feliz, com o melhor “namorido” do mundo e um filhote que é prova viva de um amor que só cresce. Só posso agradecer a Deus ou ao destino, sei lá, por essa tal maturidade. No início, assusta, sim. Apesar de todo o desejo, a idéia de deixar de ser filha pra virar mãe dá frio na barriga. É responsabilidade pra vida toda — a dele, do meu filho. São noites sem dormir (e dizem que é assim pra sempre), são novas preocupações (ele já fez coco hoje? será que já arrotou?), são dias vividos num ritmo totalmente alheio a minha vontade (hoje fui ao shopping; voltei 40 minutos depois, ao toque da babá: Gutão chorando na linha). Ah, o primeiro mês. Parece que não vai passar nunca. Mas passa. E vem o segundo — e a gente descobre que tudo tem seu tempo. Agora, do alto do terceiro, parece que sempre foi assim, parece que nosso filhote sempre esteve aqui.
Aos 31, tudo mudou. Eu mudei. Às vezes, olho no espelho e me admiro. Vejo a mãe do Gutão primeiro. Vejo o sorriso bobo, vejo as olheiras…Depois vem a mulher, a profissional, a pernambucana…
Mudou meu rosto??? Meu corpo certamente…Será que a barriga volta, minimamente, ao que era antes do barrigão? Sei não…Mesmo assim, eu ainda quero mais um. Quem sabe, mais dois. Mudou tudo e eu agradeço ao tempo, à vida, por estar aqui, agora. Aos 31, descobri que sou a pessoa mais importante do mundo. É assim que me sinto quando Gutão vem pros meus braços chorando e, beijinhos, cantarolar, palavras ditas do fundo do coração, alguns minutos depois, o menino acalma a respiração, fecha os olhinhos, solta um sorriso e se entrega. Relaxa os bracinhos, me abraça e dorme. Tem presente melhor no mundo, não.
Já fiz meu pedido: saúde e serenidade. Feliz Aniversário pra mim!
(Rô, te amo. Que bom que és tu meu companheiro, meu presente de todo dia. Nosso futuro já começou.)


posted by JULIANA DE MARI 9:21 PM


Quinta-feira, Junho 24, 2004


Descobertas


Às vésperas do terceiro mês de vida, Gutão anda mais esperto que nunca. E isso não é coisa de mãe coruja, não. Toda e qualquer pessoa que vem visitar o menino se derrete elogiando o quão atento (e lindo e cheiroso e fofinho!) ele é. Entre outras peripécias, o menino olha as pessoas nos olhos, procura os donos das vozes com seus olhinhos azuis-quase-cinzas bem abertos, mexe a boquinha feito gente grande, tentando imitar os sons dos adultos e dar um jeito de fazer parte do blablablá…Dia desses, descobriu que tem mãos. E que é uma delícia enfiá-las na boca e chupetar, chupetar, chupetar. Também descobriu que as mãos servem pra segurar as coisas. E, claro, espertinho que é, já fez suas primeiras tentativas. Tentou segurar o chocalho do “queijinho musical”. Quase deu certo — se ele não tivesse se estressado porque enfiou o dedo num dos buraquinhos do brinquedo e não conseguiu mais tirar. Tentou fazer carinho no amigo Caio, o bonequinho que a tia Lu deu e que é seu companheiro fiel nas trocas de fraldas. Não calculou bem e levou um baita susto quando o boneco escorregou pra cima do seu rostinho. Tem tentado também agarrar a vaquinha que fica pendurada em cima de uma das almofadas do berço. Adora o barulhinho que ela faz. Morre de rir sozinho.
Adoro flagrar essas descobertas. Dou risada junto. Aliás, nunca me senti tão alegre, tão cheia de boas razões pra espantar o mau humor. Ah, claro que tem dias que o bicho pega. Dias, não. Manhãzinhas. Embora a causa seja nobre, pra uma vespertina convicta, é uma tortura levantar antes do sol nascer…Tem vezes, eu confesso, que salto da cama praguejando. O cansaço é grande — e a vontade de ter de volta minhas oito horas de sono seguidas também. Mas aí basta pisar no quarto do menino pra recuperar meu eixo. O cheirinho dele, os sonzinhos dele, o sorrisinho dele, são o antídoto mais poderoso desse mundo! Ou alguém acha que existe coisa mais maravilhosa do que saber que aquele pacotinho pára de chorar só de ouvir a voz da mamãe????? Gutão descobre o mundo e eu descubro que esse amor é muito, mas muito maior do que eu poderia imaginar.


posted by JULIANA DE MARI 9:11 PM


Segunda-feira, Junho 21, 2004


Retratos


Um viva geral: depois de uma longa pausa na assistência técnica, a máquina digital sobreviveu!!! Prometo muitas e muitas fotinhas daqui pra frente. Afinal, cada sorriso, cada gritinho, cada caretinha, do menino espoca um “flash”!! Por agora, apreciem os cliques que fizemos na última semana, quando vovó Lilica e vovô Zeca estiveram aqui corujando o netinho. Aliás, preciso deixar registrado o quão feliz eu fico quando a família vem compartilhar da nossa alegria. É bom demais flagrar amor nos olhos dos nossos pais, irmãos, tios, primos…e saber que o sentimento tem um só destino: um “galeguinho” banguelinha e cabeludo, nosso amadinho Gutão. Eu fico só viajando, pensando lá na frente, no tempo em que o menino vai ter vontade própria pra valer. Imagino que ele vai adorar o dilema que nós aprontamos pras férias dele: tomar água de coco e passear no calçadão de Boa Viagem com vovô Albertino e vovó Ju ou fazer trilha no Matadeiro e correr atrás do Padang com vovô Zeca e vovó Lilica?? Eu, se fosse ele, dava um jeitinho de convencer o papai e a mamãe a caprichar na poupança e comprar bilhete duplo!!!!


posted by JULIANA DE MARI 9:43 PM


Sexta-feira, Junho 18, 2004


Últimas notícias


Rapidinho, antes que o menino acorde pra mamar. Fomos à pediatra hoje — e ela quase não reconheceu o Gutão!! Também, pudera, no último mês o pequeno deu uma arredondada geral. Tiramos a prova na hora da balança: Gutão tá pesando 4660 gramas!!! Ou seja, engordou 1430 gramas desde a consulta anterior, 45 gramas por dia. Também espichou: foram cinco centímetros a mais. O gurizinho tá agora com 55 centímetros e quase já não cabe mais nos macacões P, pasmem! Mais uma vez, sai do consultório explodindo de alegria por não ter desistido de oferecer meu leite ao filhote. O início da amamentação é conturbado, sim, mas tudo passa e os resultados aparecem antes do que a gente imagina.
Bom, tirem a prova do quanto o Gutão cresceu — e de como tá lindo, faceiro e sorridente! — nas fotos abaixo. (sorry, tirei as fotos do ar por medida de segurança…)


posted by JULIANA DE MARI 3:34 PM


Quarta-feira, Junho 16, 2004


Aos de bom coração


Quero aproveitar a audiência tão selecionada do nosso blog pra pedir uma ajuda (serve dinheiro, leite, roupinhas, artigos de enxoval…) pra Vânia e seus trigêmeos recém-nascidos. Os meninos são prematuros, os pais estão desempregados e já têm outros filhos (um deles com uma doença bem grave) e a família realmente está passando necessidade. Mais da história deles vocês encontram no endereço www.boavontade.blogger.com.br. Eu vou fazer a minha parte e torço pra que mais e mais pessoas se sensibilizem e ajudem essas criaturinhas a sobreviver…Obrigada.
posted by JULIANA DE MARI 6:14 PM


Quarta-feira, Junho 09, 2004


Tic-tac


Se eu desconfiava, agora tenho certeza: meu Pirata veio com um reloginho acoplado à barriga! Resolvi anotar os horários das mamadas do pequeno pra ver se ele tá evoluindo na arte de dormir a madrugada inteira sem reclamar.
Pra vocês terem uma idéia, ontem nossa rotina foi assim:
5h45 – primeira mamada do dia
9h30 – segunda mamada do dia
12h30 – terceira mamada do dia
16h – quarta mamada do dia
19h30 – quinta mamada do dia
00h – sexta mamada do dia

Hoje seguiu na mesma batida:
6h – primeira mamada do dia
9h – segunda mamada do dia
12h20 – terceira mamada do dia
15h45 – quarta mamada do dia
18h45 – quinta mamada do dia
E, como ontem, tou prevendo que o pequeno vai acordar antes da meia-noite de barriga vazia.

Tudo isso pra dizer que meu filho é muito bonzinho. Super regular, tem ajudado meu relógio biológico a se adaptar mais facilmente ao ritmo que os cuidados com um nenê que mama exclusivamente no peito exige. Não é mole, não, estar disponível (e bem disposta) a cada três horas. Minhas costas estão em frangalhos (até porque o menino tá engordando que é uma beleza, graças a Deus!), mas tenho fé que vou sair dessa experiência com a musculatura dos braços e das pernas muito bem trabalhadas. Vocês não têm idéia do malabarismo que eu preciso fazer pra levantar da cadeira de amamentar sem acordar o Gutão adormecido no meu colo. Sem falar que depois é preciso driblar o móbile pra instalar o menino bem de ladinho no berço. Digamos que é um momento crítico. Chego a prender a respiração de tanto medo (hahahaha) de que ele abra os olhos no meio da empreitada. Deus é pai, não é padrasto, e o Gutão não costuma fazer isso durante a madrugada. Já durante o dia, digamos que ele prefere o quentinho do colinho da mamãe a qualquer outra instalação. Mas estamos evoluindo nesse quesito também. Hoje eu fiz um cafofo com um edredon em cima do Futon do quarto de TV e, depois de mamar, coloquei o pequeno ali pra ver no que é que dava. Ele aceitou de bom grado. Fixou os olhos nos livros e, vez por outra, soltou gritinhos de satisfação. Ficou uma boa meia hora nisso. Eu tava ali do lado, babando, claro. Aliás, preciso reconhecer que a maternidade me deixou meio abobada. Tenho me flagrado rindo pra bichinhos de pelúcia, entabulando altos papos com os brinquedos do Augusto e chorando até pra nenê de propaganda da televisão! E, dizem, isso tende a piorar. Ainda está por vir a fase de se contorcer com as caretas ou de sair rolando pelo chão — e, pior, em praça pública!!!
Mas a idéia é essa mesmo. Somos nós que temos que descer ao nível deles, não o contrário. Isso é particularmente importante na hora de encarar a puxada da amamentação. Como disse a Luciana Gimenez outro dia (eu confesso: sou fã do programa dessa maluca! Melhor humorístico da TV brasileira atualmente!!!), amamentar é a única coisa que só a mãe pode fazer por seu filho. Criança feliz enche a casa (e o planeta) de boas vibrações — e cresce com a auto-estima bem trabalhada. Portanto, que ninguém recrimine as mães, seus ataques de “tatibitate” ou suas sessões lamúria no melhor estilo “ó, vida, ó, céus”! Afinal, o ciclo dia-noite dos pequenos se completa em três horas, depois de mamar, cochilar, fazer coco e liberar espaço na barriga pro leitinho quente outra vez. Já o das mamães continua na batida das 24 horas, insistindo em lembrar que a madrugada foi feita pra dormir e que oito horas de sono seguidas são a receita mais antiga e mais eficiente contra o estresse. Gutão vai fazer três meses no final do mês e, pelo que ouço falar, será um feito memorável. Até lá, dizem os livros e a pediatra dele, o reloginho interno do menino vai nos brindar com uma noite inteira, oito horas inteirinhas, sem despertar. Mas sabe que eu desconfio que, quando isso acontecer, é bem capaz do pequeno embalar e a mamãe aqui levantar no horário de sempre, só pra conferir se ele tá dormindo direitinho!! :)

posted by JULIANA DE MARI 9:45 PM


Segunda-feira, Junho 07, 2004


Domingueira


A vida social do nosso Pirata tá começando a ficar incrementada. Ontem, domingão de sol em Sampa, Gutão foi a praia. De paulista, diga-se. Praia verde: o parque. O escolhido foi o Vila-Lobos, mais perto de casa do que o famoso Ibirapuera. Encontrou o aMiguel por lá, tomou um solzinho gostoso e passeou um bocado em seu carrinho. Enquanto Miguel dormia, Gutão via o mundo, olhos arregalados, completamente desperto. Lá pela hora do almoço, bateu fominha. E Gutão estreou em mais uma: trocar a fralda e mamar no carro! (Miguel, descolado, fez a mesmíssima coisa.). Fome saciada, lá vamos, os quatro, perdão, os seis!, almoçar fora. Dessa vez, Miguel acordadão e Gutão capotado. Não deram o menor trabalho. Ficaram ali perto da mesa, cada qual na sua cadeirinha, sem chorar nem resmungar. Na hora da sobremesa, esticamos pra casa dos dindos. Gutão se sentiu em casa e abriu um berreiro básico, reclamando da bunda suja e da barriga vazia. Só que o Miguel “correu” pro trocador antes, afinal era ele o dono do pedaço!, e o Augusto encheu a casa com seus gritinhos irados. (Nem preciso dizer que as mães-corujas estavam eufóricas com o encontro dos amigos, né? E eles nem tchungas um pro outro. Mas a gente vai continuar insistindo e tenho fé que em breve vai presenciar esse olhos-nos-olhos!!!). O domingo do pequeno ainda teve direito a supermercado (a mãe foi às compras, enquanto o pai ficava de baby-sitter no carro. Até fralda o maridão trocou com maestria — em cima do banco e com pouquíssima luz. Palmas pra ele!!). Gutão, papai e mamãe voltaram pra casa mais de oito da noite, completamente exaustos. Gutão encontrou Morfeu antes da hora e dormiu um soninho bom até quase às dez. Quando acordou, não teve como fugir: foi direto pra banheira, prum banho rapidinho, só pra “tirar a poeira”. E o menino gostou. E aprovou o pijaminha. Mamou preguiçosamente e se entregou ao berço. Só acordou âs 4h30 da segunda-feira. E que venha o próximo final de semana!


posted by JULIANA DE MARI 8:42 PM


Quinta-feira, Junho 03, 2004


Minha amiga chupeta


Eu me rendi à chupeta. Ortodôntica, claro. Da melhor marca, dizem, a Nuk. Nem lembro direito quando foi, mas foi ainda no primeiro mês de vida do Gutão. Joguei a toalha quando percebi que o pequeno acabava de mamar e ficava ali, pendurado no peito, chupetando, chupetando, chupetando, olhos fechados, maior prazer. Pois é, os bebês têm necessidade de sugar. É a tal “fase oral”. Existe, sim, a psicologia explica — e não há peito de mãe que dê conta. Melhor a chupeta que o dedão, dizem as odonto-pediatras. Dedão é muuuito mais difícil de tirar, certo? Afinal, o equipamento tá ali o tempo todo, ao alcance da mão, literalmente.
Gutão ganha a chupetinha quando tá naqueles momentos que precedem o sono e o deixam meio irritadinho. Ou quando acorda de supetão e só precisa chupetar um tantinho pra encontrar Morfeu outra vez. Também ganha chupeta na hora da Funchicórea, pelo menos uma vez ao dia. Fora isso, ele cospe. Rejeita a bendita. Faz bico e joga longe. Não aceita ficar se entretendo com a chupeta. Quer conversa. Quer presença. Quer cores, movimento, bichinhos, musiquinha. Graças aos céus, a gente faz a nossa parte e o menino faz a parte dele direitinho.


posted by JULIANA DE MARI 10:13 PM


Quarta-feira, Junho 02, 2004


Amor de mãe


Agora eu entendo. A preocupação; o sexto sentido; as noites em claro; o desejo de proteger; a vontade de estar junto o tempo todo, todo o tempo; a insistência no comer bem, dormir bem, estudar bem; o medo das “rotas alternativas” dessa vida; a difícil arte de criar pro mundo; a culpa crônica…
Agora eu entendo. O amor incondicional; o “faço tudo, qualquer coisa, mato e morro, pelo meu filho”; o desejo de abrir uma conexão direta com o cara lá de cima pra pedir proteção 24 horas por dia, saúde em primeiro lugar e muitos sorrisos pra atestar o “bom comportamento”…
Agora eu entendo tudo.
Agora eu entendo a minha mãe.


posted by JULIANA DE MARI 7:12 PM


Terça-feira, Junho 01, 2004


Olha ele aí, gente!


Como prometido, novos cliques do nosso Gutão. Foram feitos domingo passado, nenê com dois meses, queixinho duplo e muita disposição pra caras e bocas. Resumindo: lindo, lindo!!!! (Sorry, mas tirei as fotos do ar por medida de segurança…)


posted by JULIANA DE MARI 11:34 PM

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