Archive for August, 2006

Estréia

Criado por Ju em Blog | August 27, 2006 – 9:51 pm

Confesso que tava sem saber muito bem por onde começar a transição da fralda pro pinico. O dito já habita o banheiro há uns bons meses, mas o incentivo para que seja usado não tem sido constante. Sei lá, eu tendo a achar que é melhor respeitar o tempo da criança, deixando-a dar sinais de que está pronta a assumir os novos aprendizados, do que ficarmos, nós pais, formatando um tempo e um aprendizado pelo qual ela não demonstrou o menor interesse. Enfim.

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Fortes emoções

Criado por Ju em Blog | August 25, 2006 – 9:45 am

Gutão ontem foi na otorrino com o Rô. Graças aos santos, o ouvido melhorou e, de maneira geral, ele tem progredido no tratamento. Depois da médica, pausa pra brincar com o Miguel e pegar a Nina no colo, lá na casa dos dindos. Cheguei do trabalho e os moçoilos ainda estavam na rua. Deduzi que, quando chegasse, Gutão ia estar bem cansadinho, pronto pra tomar o leite e capotar. Hã-hã.
Gutão chegou todo feliz. Contou que pegou a Nina no colo, perguntou se ela tem “língua”, e foi-se, falante e feliz, brincar com os carrinhos no quarto da televisão. A essa altura, eu tava morta, esgotada. Passei o dia morrendo de sono, cansadíssima, e realmente tudo o que queria era um beijo, um abraço e minha cama. Mas filhote resistiu e não quis saber de botar o pijama nem de se encaminhar pro seu quarto. Por volta das 22h, dei o ultimato: hora de trocar de roupa, tomar o leitinho, colocar o remedinho no nariz e dormir. Pra sorte minha, antes disso, Gutão tinha, voluntariamente, feito inalação. Fica encantado com a “fumacinha”. Coloca no nariz, sozinho, liga e desliga, conta até dez antes de tirar a máscara, um figura.
Pois bem, no momento em que decretamos o fim do dia, Gutão surtou. Queria porque queria lavar a petita na pia do banheiro. O Rô explicou que não ia rolar. Que o papai tava com dor nas costas de carregá-lo no colo e que a água da torneira tava muito gelada. Pensa que ele engoliu a explicação? Berrou e berrou e berrou, e chorou lágrimas de crocodilo. E veio pra cama contrariado. E ficou de pé na dita cuja. E eu, calmamente, tentando colocar o pijama e trocar a fralda do meu pequeno guerreiro. Aí, ele cismou que queria ficar sem fralda. E eu explicando que não dava, que tava frio, que ele ia fazer xixi na cama, ia ficar molhado, não ia conseguir dormir direito. E ele chorando, chorando, gritando, se esgoelando, pra falar a verdade. E eu tentando manter a paciência e repetindo não, não vai dar, não vou deixar. Até que ele, possesso, vermelho, cheio de lágrimas, me olha e diz: “Qué matá a mamãe”.
Putz, oscilei entre chorar e rir, juro a tu. Forte, né? Mas relativizei e perguntei se ele tava brabo. Disse que “matar a mamãe” não é uma coisa legal de dizer, que a mamãe fica triste, mas que ele tem outras coisas pra nos dizer sempre que se sentir chateado. Aí, ele disse, já quase caindo de sono, tadinho: “Tô irritado”. E deixou que eu trocasse o pijama, a fralda, arrumasse a cama e o colocasse, abraçadinho, ao lado da Pig. E dormiu. A noite toda sem chamar.

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A peleja nossa de cada noite

Criado por Ju em Blog | August 22, 2006 – 9:07 pm

Noite de terça-feira, por volta das 21h30. Mamãe sentada na cama, tentando botar filhote pra dormir:

“Que balulho é esse?”
“A vizinha chegou?”
“Tô tô medo da vizinha”
“Qué leitinho”
“Mamãe, cê qué um pouquinho?”
“Não qué bota o pijama”
“Por baixo, mãe”
“Qué o coelhinho rosa”
“Ele come cenoula?”
“Qué botá o coelhinho pra domi no travesselo”
“Qué domi na cama da mamãe”
“Cadê o Rô?”
“Faz calinho na perna, mãe”
“Mosquito modeu o pé, faz calinho mãe”
“Qué pegá o palhacio”
“Tem medo dele”
“Qué escová o dente”
“Bota mais pasta, mãe”
“Vô escová beeem devagalinho”
“Devagalinho, mãe!”
“Qué domi na cama da mamãe”
“Essa cama não é confotável”
“Domi aí, mãe”
“Cada um não tem a sua cama”
“Deita aí, mãe”
“Que balulho é esse?”
“O elevador faz balulho?”
“Acende a luz, mãe”
“Qué a Pig”
“Cadê o Papai?”
“Domi aí com o eu, mãe”
“Não qué domi!”
“Qué a histolia da Ana”
“Ela uma vez…”
“A Ana tem pé, mãe?”
“Qué vê o livro da Ana”
“Deita aí, mãe”
“O mosquito modeu o pé, tira a meia, mãe”
“Faz calinho na pena, mãe”
“Qué a Pig”
“Papai já chegou?”
“Canta a música do Batman, mãe”

(HEIN??????)

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Esperteza

Criado por Ju em Blog | August 13, 2006 – 9:54 pm

Gutão é um figuraça. Foi dormir todo feliz agora há pouco, depois de um dia animadíssimo. Dia dos Pais teve direito à pracinha com o Rô pela manhã, almoço num lugar bem gostoso a três, visita ao Pedroca, do Julio e da Patty, muita brincadeira em casa, banho de chuveiro — sozinho!, muita risada e muitos beijinhos. Filhote curte tanto a nossa companhia. Dá gosto brincar com ele. Ele corre, grita, fantasia, cria histórias e personagens, um barato. Teve uma hoje que foi muito engraçada. Gutão pegou um carrinho e disse que o papai da Pig ia trabalhar. Eu perguntei onde. E ele respondeu fazendo referência ao lugar onde o Rô trabalha. E a mamãe da Pig, eu quis saber. Ele respondeu que ela também ia trabalhar — adivinhem onde? Onde eu trabalho, claro.
Engraçado ver como essas coisas ficam na cabecinha dos pequenos. O que a gente faz, o que a gente fala. Tudo isso vai criando referências sobre a família, o mundo, a dinâmica da vida. À tardinha também, Gutão saiu correndo pra janela. Subiu no Futon do quarto da TV sozinho. Pra quê? Pra dar tchau pro sol, coisa linda (moramos no último andar, em um terreno que não tem prédios na frente, e sempre curtimos esse privilégio em São Paulo: ver o pôr-do-sol da janela de casa). Um pouquinho depois, um vizinho resolveu soltar fogos. Já tava escuro, eram luzes lindas e eu chamei Gutão pra ver comigo. Filhote não só não se assustou com o barulho, como ficou pedindo mais. Aí, eu expliquei que o vizinho já tinha terminado e que não tinha outro “foguete”. Ele me olhou, muito sério, e disse: “ah, acabou a pilha”. :-)
Antes de dormir, levei Gutão pra lavar os pés no chuveirinho. Ele pediu pra tirar a roupa. Me perguntou se eu tinha pinto. Eu disse que só meninos têm pinto. Ele pediu pra tomar banho. Entrou sozinho no box, ficou em cima do tapete, segurou o chuveirinho e tomou. Molhou o pescoço, a barriga, as costas, bem bonitinho. Só não se ensaboou sozinho, ainda não aprendeu essa parte! Depois do banho, veio pro meu colo, e ficou imitando o choro do Pedroca. Olhou pra mim e perguntou: “O Pedro fala?”. Eu disse que não, que ele choraminga porque ainda não sabe falar. Gutão respondeu: “Eu sabe”.

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Vivendo e aprendendo a viver

Criado por Ju em Blog | August 10, 2006 – 9:30 pm

Não tem outro jeito a não ser esse aí de cima, né? A gente aprende a viver, vivendo. A gente aprende a ser pai e mãe, sendo. Gutão tá naquela fase que os americanos apelidam de “terrible twos”. A fase do não quero, do não vou, do gritar até doer nossos ouvidos, do jogar todos os brinquedos no chão quando é contrariado ou quando fica irritado, e por aí vai. Totalmente típico de quem está se descobrindo um ser autônomo. Pra lidar com isso, muita paciência, muito jogo de cintura, muito foco no que realmente queremos que ele aprenda nessa vida. Tem horas que a gente perde a estribeira, claro. Quando junta birra de um lado e cansaço do outro, pronto, explode, mas eu tou fazendo um esforço grandissíssimo pra manter o foco, pra respirar dez vezes, pra “mudar de assunto” e oferecer outra possibilidade ao meu filhote.

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