Aprendizado
Gutão, finalmente, está aprendendo a aceitar a hora de dormir. Desde que voltamos de Recife, tenho procurado baixar a “adrenalina” da casa por volta das 20h. E vai dando 21h, eu pergunto: “Que horas é hora de dormir, filho?” E Gutão diz: “Nove da noite, mãe”. E desliga a TV, e pega a Pig, e aceita trocar o pijama, e toma o remedinho balinha (pra rinite), e põe sorine no nariz e fala, fala, fala, já deitado em sua caminha, ainda resistindo um tantinho a se entregar de vez a Morfeu. Dia desses, ritual finalizado, Gutão me olha e pergunta, em sua última tentativa de continuar acordado: “O que falta agora, mamãe?”.
Eu acho tão linda essas perguntas. Adoro essa curiosidade, essa rapidez pra fazer interpretações, conexões. Esse jeitinho só dele de ir construindo sua visão de mundo — e essa memória espantosa que filhote tem. Agora mesmo, Gutão tá perguntando assim: “Os carros sabem andar?”. E eu digo: “Sim, filho”. E ele devolve: “A Nina sabe andar?” Ao que eu respondo: “A Nina não sabe andar ainda, mas ela vai aprender”. E Gutão diz, orgulhoso: “O Gutão e o Miguel já sabem”.
E pergunta pra babá Lu: “Como é o nome da sua mãe? Como é o nome do seu pai? Como é o nome do seu namorado?” Ela responde tudo e diz que o nome do namorado é Junior. E Gutão faz a sinapse: “O namorado da piminha Maiara chama Junior?”. Eu digo: “Não é o namorado, filho, é o papai dela que chama Junior”. E fico de cara com essas lembranças que ele armazena e “consulta” assim, tão facilmente.






