Dá-me luz, ó Deus do tempo
Tem dias em que o cansaço não perdoa. Ainda bem que é sexta-feira, feriado. Gutão melhorou um pouco. Não teve mais febre, mas continua muito encatarrado. Estamos fazendo inalação três vezes ao dia, limpando o nariz com Sorine outras tantas vezes e tirando “ranho” com a bombinha inúmeras outras. Durante o dia, ele tem passado bem. Anda um tantinho irritado e com mais sono do que o habitual (talvez efeito dos remédios). Nossas noites, no entanto, têm sido naquela base. Gutão dorme mal, acorda muito, funga muito, chama muito a mamãe. Tenho atendido na medida do possível. O Rô tem se revezado nessa missão. Mas filhote nem sempre aceita a presença do pai e chora, reclama mesmo, a minha presença…Aí, fico dividida, entre jogar a toalha de vez ou respirar fundo e ir lá acalentar meu menino. Resultado: acordo moída, nem descanso, nem desligo, nem coisa nenhuma. Sorte que hoje Gutão pediu pra tirar uma soneca por volta do meio-dia e me requisitou. Fui de bom grado com ele (Pig nos braços!) pra nossa queen size. Deitamos juntinhos, rodeados de carrinhos, e ali ficamos até às 4 da tarde!!!! Não posso dizer que dormi o tempo inteiro, pois ele mexe horrores, fala um bocadinho e me empurra constantemente! Mas que ajudou a descansar, isso ajudou.
Passamos o feriado reclusos. Eu e o Rô demos uma pequena geral na casa. Gutão viu o Cocoricó umas vinte vezes (viciou outra vez) e levou uns cinco castigos. Tá com essa mania horrorosa de jogar as coisas no chão deliberadamente ou de tascar tapões no meu rosto e no rosto do Rô. Ele já sabe que não pode, mas não deixa de fazer. Hoje pela manhã, assim que saí da cama, ele veio atrás de mim no banheiro. Falei qualquer coisa que ele não gostou e, na hora em que abaixei pra dar um abraço, levei um copo no alto do nariz. Foi tão de repente que não tive outra reação: comecei a chorar!!! Gutão ficou todo sentido. Pediu “depuca”, disse “não chora, mamãe” e quase foi voluntariamente pro castigo.
Como é difícil lidar com essa agressividade e essa necessidade de limite o tempo todo, todo o tempo, ou seja lá o que for isso, viu? Confesso que tem horas que dá vontade de simplesmente fingir que não é comigo. Mas não dá, né? E aí, lá vamos nós pra ladainha do “isso não é legal”. Gutão tá naquela fase afirmativa — ou seria negativa? Pra tudo que a gente diz, ele devolve um “não”. Só coopera quando eu peço ajuda ou quando digo que ele já aprendeu a fazer determinada coisa. Aí, acho que ele se enche de orgulho, não se sente “controlado”, e faz o que peço direitinho. Será que o modus operandi dessas figuras, com tão pouca idade, já é assim tão complexo? Ou será que sou eu que tou dando significados complexos pras atitudes dele? Ai, meu pai eterno, acho que tou precisando voltar pra terapia!!!!









