De novo?
Gutão tá com otite de novo. Ouvido esquerdo com muita secreção, ouvido direito avermelhado. Eu bem que tava achando estranho esses “despertares” chorosos no meio da noite. Semana passada tivemos madrugadas de cão, com direito a levantar de hora em hora, fazer inalação, ouvir muitos gritos agoniados, dar alguns outros de volta (ai, gente, essa função noturna me deixa à beira de um ataque de nervos), enfim. Ontem, sabadão, levamos filhote no Sabará e o diagnóstico foi esse que eu pressentia e que citei acima. Fiquei triste, mal por perder a paciência enquanto Gutão sofre, por, algumas vezes, não ser capaz de me manter focada nele e não na minha cabeça que dói a falta de sono…Chorei no banheiro do hospital essa culpa toda. Será que alguma mãe vive sem ela?
A noite de ontem já foi um pouco melhor. Gutão voltou pro antibiótico. Chato é, mas não tem muito jeito. Também tomou Tylenol, que aliviou um bocado a dor (justo eu, que detesto sentir dor, só pensei nisso, em oferecer um analgésico pro meu bichinho, na sexta-feira). Ele só chamou duas vezes, ainda assim rapidamente. Uma vez por causa do cobertor enrolado no pé. Na outra, por ter perdido a petita.
Hoje acordou feliz, correndo, animado pra ir pro “basque” (parque). Fomos no Ibirapuera, correr na grama, curtir o sol e tentar ver alguma coisa da Bienal. Gutão se esbaldou no “corridão”. Como gosta dessa liberdade! Corre longe, com um jeitinho sincronizado de mexer os bracinhos, uma graça. E vem sorrindo, rápido, rápido, e dá abraço e nos empurra pro chão. Foi lindo vê-lo parar pra descansar, sentadinho embaixo das árvores, depois de um “tiro” mais forte. Os dindos, o Miguel e a Nina nos fizeram companhia.
Tentamos ver alguma coisa da Bienal, mas foi praticamente impossível. Gutão queria “tocar” nas obras, que perigo! Só aceitava ficar pra cá da linha amarela quando eu dizia que o segurança ia nos dar uma bronca porque a gente não tava respeitando as regras. Em uma ocasião, uma segurança veio mesmo conversar com ele e contar que não podia, não ficar tão pertinho das instalações. Vamo combinar que arte moderna, contemporânea, seja lá o que for aquilo, é uma viagem total e absoluta, né? Vi algumas coisas interessantes, algumas fotos bonitas, mas, no geral, pra usar uma palavra do Rô, achei a Bienal “beligerante”, com instalações feias, agressivas. Reflexo do mundo atual, diz o maridão. Eu sigo dizendo que não entendo muito bem essa arte “cabeça”. E eu mesma me digo de volta que arte é pra ver, sentir, explorar, não é mesmo pra entender.
Depois da corrida na Bienal, Gutão e Miguel passearam mais um pouco no parque, encantados com os carrinhos. Andaram de mãozinha dada, esses dois amigos, batendo altos papos. Flagrei um pedacinho de conversa, mais ou menos assim: Gutão perguntou pro Miguel: “Por que você esqueceu sua meia, Migue”o”?”. O amigo respondeu: “Eu tô de sandália, Auguto”. Minha afilhadinha Nina também foi passear com a gente. Menina querida, tranquila, de coxas grossas, bochechas rosadas e um sorriso pronto pra aparecer toda vez que eu faço cosquinha no barrigão dela! E como menina é meiguinha, de vestido e calcinha cor-de-rosa, uma gracinha. Cada vez que eu vejo um bebê, tenho mais certeza que a hora da nova encomenda está mesmo chegando. Esses dias dei até de me imaginar grávida outra vez, vocês conhecem essa sensação?
Depois do parque e de almoçar num lugar legal, com bastante pedrinha pra filhote fazer bagunça!, caímos na cama, nós três. Gutão dormiu duas horas e acordou aos prantos. Reclamando da vida, de Deus e de todo mundo. Deve ser mau humor vespertino e muita dor, tadinho. Chorou tanto, tão irritado, com tantas lágrimas, que dei analgésico outra vez. Como dói ver meu pequeno assim…E eu bem sei o quanto irrita e faz sofrer essa maldita dor de ouvido. Há uns tempos tive otite “média”, como os médicos chamam, por causa da sinusite, uma sensação de água descendo no ouvido, muito agoniante. Já estava em tempo de marcar um retorno na otorrino que cuida do Gutão. Vamos agilizar essa semana e torcer pra não ser preciso fazer a tal punção (se bem que, ontem, a médica do hospital me explicou que esse procedimento não dói e que dá alívio imediato pra criança…mas, sei lá, é sempre uma “agressão” — como se remédio não fosse…Já viram que hoje eu tou “falando” com meus próprios botões, né? Altamente reflexiva, essa menina).
Bom, passado o ataque de choro, filhote e papai foram botar gasolina no carro e comprar brigadeiro pra gente fazer um jantar de “dia das crianças” (atrasado, mas bem intencionado!). Vamos ver se, na volta, ele vem mais animadinho.






