E o ano começou
Estamos de volta à paulicéia. Mais leves, mais unidos, certamente mais felizes, depois de férias tão ensolaradas. Minha apreensão em relação ao vôo de Recife pra cá, cheia de tralhas pra carregar, mostrou-se uma bobagem. Alguém já disse que, é só confiar, os bebês fazem sempre a parte deles. Gutão, tecnicamente, não é mais um bebê, mas ajudou um bocado. Dormiu três horas seguidas, do momento em que o avião decolou até a aterrissagem! O ruim da história é que chegamos mortos de fome, pois o vôo era bem no horário de almoço e nem água consegui tomar!!!
O reencontro com o Rô foi tocante. Gutão ficou tão feliz, mas tão feliz de reencontrar o paizão que inaugurou mais uma: desandou a dizer “te amo, papai”. Lindo, lindo. Agora, começou a dizer “te amo, mamãe” também, mas o alvo predileto das declarações do mocinho é mesmo o pai. Declarações, aliás, sobram na boca do figura. Gutão, um ano e nove meses, fala tudo. Dá pra conversar mesmo, verdadeiros “diálogos”. Ele constrói frases, usa o tempo verbal certo, repete meus diminutivos (mãozinhas, leitinho, descansar um pouquinho e por aí vai) e sabe usar as palavras direitinho (olha meus diminutivos aí outra vez!). Diz quantos anos vai fazer (”doix”), diz quem chega depois que o sol vai embora (”a lua”), diz o nome dos amiguinhos (”Cidinho”, de Recife, “Miguel”, “Afa (Rafa)”, “Equile (o Eric!!!!)”, “João”), diz onde o papai trabalha e onde a mamãe trabalha também.
De tanta vontade de se comunicar, às vezes, atropela as palavras e a gente tem que fazer um esforço maior pra entendê-lo. Mas ele sempre dá um jeito de dizer o que quer, o que está sentindo, o que está pensando. Também tem demonstrado um interesse crescente por tudo o que se move sobre rodas. E aprendeu a fazer suas próprias brincadeiras. Passa um bom tempo na sala com seus carrinhos e caminhões, sozinho, falando, viajando…Deu de chamar um mini-ônibus de “bombi (kombi)”, depois que viu uma ao vivo e em cores em Recife. Quando quer companhia, me chama pra “brincar”. E eu brinco com tanto gosto!!!
Voltou das férias quase 800 gramas mais gorducho. Pudera. Comeu tanta fruta, mas tanta fruta (eram cerca de três fatias só no café da manhã!), que seria impossível o barrigão não ter crescido! Tá na marca dos 12,6 quilos. Cresceu um centímetro: mede 87 cm agora. Tá na curva proporcional. A dra Ketty ficou bem impressionada! E bateu o martelo no diagnóstico: ele teve mesmo urticária alérgica. Ainda não sabemos exatamente ao quê. Ela levantou duas hipóteses: ou alergia a alguma roupa nova, usada sem lavar, ou overdose de papinha Nestlé. Parece estranho, mas não é. É que as papinhas, por mais saudáveis que sejam, levam conservante, né? E, em Floripa, o Augusto comeu bem mais papinhas do que está acostumado em casa. Em Recife, retomamos a comidinha caseira, mas em Porto de Galinhas, apelei mais uma vez pras papinhas. Daí, diz a doutora, o segundo contato mais intenso com os conservantes, pode ter resultado em alergia. Agora é continuar com o anti-histamínico por mais uns dias e torcer pra essa alergia não se manifestar mais. O mais importante é que a pele dele já está 99% melhor.
Quê mais? Gutão agora dorme mesmo na cama. E desce sozinho quando acorda. Vai, pé ante pé, tagarelando, chupeta entre os dentes, nos acordar no nosso quarto. Uma graça. Eu continuo fazendo “barricada” pra evitar que ele role e bata a cabeça no chão durante um sonho mais agitado, mas sinto que logo, logo nem isso vou precisar fazer. Gutão também avisa toda vez que faz coco. Diz assim: “fazendo coco, trocar cocozão!!!”. Por falar em fralda, a noturna tem vazado bastante e olha que já estamos na XG. Gutão detesta acordar molhado na madrugada. Reclama, reclama, pede pra trocar a fralda, choraminga, uma agonia só. Eu entendo, deve mesmo incomodar. Por essas e outras, sinto que o segundo aniversário vai trazer a novidade do pinico entre nós. E o adeus à chupeta, claro. Ele só tem usado pra dormir. Diz assim: “precisa agora”. Quando acorda: “não precisa”. E pede a caixinha pra guardar a dita cuja. Durante o dia, não tem lembrado da “petita”. E tem noites que só lembra no último minuto do segundo tempo, sabe assim?
Legal ver que ele vai no tempo dele, avançando aqui e ali, demonstrando segurança e curiosidade pra avançar de fase, sem deixar nada pra trás. Fico orgulhosa também; de alguma maneira, significa que eu e o Rô estamos sendo cúmplices do filhote em suas descobertas, sem querer acelerar ou reprimir qualquer coisa. Só reprimo “piti”, isso não dá pra aguentar. Mas até esses momentos de “histeria” têm sido mais raros. Gutão presta muito atenção ao que é explicado, justificado. Não adianta vir com “não e pronto”. Ariano forte que é, ele teima, sorri e faz de novo pra testar nosso limite. O negócio é olhar no olho, manter a calma e conversar. Aí, o bichinho baixa guarda e respeita. Tá certo ele. Merece mesmo todo respeito do mundo.