É tempo de férias
Julho é mês de férias e Gutão tem todo o direito de se esbaldar na dele. Verdade que tem ido pra escola durante a semana, mas não é pra “estudar”, não. É que filhote tá participando do curso de férias. Vai no horário normal, pela manhã, mas nem uniforme usa. Leva brinquedos, bichinhos, e faz arte, muita arte. Cada dia a escola inventa uma coisa diferente pra estimular e divertir a garotada. Segunda é dia de circuito da bicicleta e, enquanto os maiorzinhos exibem suas proezas, os menores são convidados a entender as leis do trânsito e a “trabalhar” como guardas, orientando os bikers sobre o que pode e o que não pode na rua. Há o dia da fantasia, o do cineminha, o da maquiagem (Gutão voltou na quinta todo “pintado”. A gente perguntava o que ele tinha feito e ele fechava os olhos e dizia: “maquiage, mamãe”), o da festa de aniversário (eles mesmos fazem o bolo e os brigadeiros, delícia) e por aí vai. Tudo muito lúdico e educativo.
Aliás, essa semana Gutão fez uma engraçadíssima que eu preciso registrar. Chegou da escola com uma mini-pizza de barro na mochila. Chegou na hora do almoço, pediu pra Bá sua comidinha e, enquanto ele brincava com os carrinhos, lá se foi ela pra cozinha arrumar o pratão. Quando deu a primeira colherada, Gutão falou: “Tá ruim, Bá”. E ela achou estranho. Foi olhar na boca do figura e o que viu? Um pedação de barro lá dentro, haahhhaahahaa. Filhote tava com fome e não teve dúvida: tascou o mordidão na pizza de barro mesmo!
E férias que se preze têm que ter programa em família. Hoje foi dia de Zôo Safári, o antigo Simba, local mui frequentado por essa que vos escreve quando era criança e vinha de Recife passar as férias em Sampa. Chegamos no meio da manhã e a fila de carros já era longa. Gutão tava ansioso (acordou falando: “vamo no zoológico, papai”) e, sentado na sua cadeirinha, não parou de balançar as perninhas um só minuto. Para quem não sabe, o passeio de 4 Km no Safari se faz de carro. Os bichos estão lá, soltos, e vêm nos saudar na janela, um barato. Claro que com os leões e os tigres a coisa é diferente. Esses aí se exibem dentro da “jaula”, que não tem grades, mas telas de proteção e cerca elétrica. Assim mesmo, da janela do carro, dá pra observá-los muito bem.
Os primeiros bichos que nos saudaram foram os pavões, aqueles, lindos, de rabo azul. Eu e Gutão na janela, eu digo: “Vem aqui, pavãozinho” e não é que o bicho responde? Do jeito dele, mas responde, hahahahaaa. E Gutão leva um susto, mas morre de rir. E eu falo com ele de novo, e, de novo, o bicho responde, e Gutão adora. Daí por diante, foi uma farra. Como o trajeto tem velocidade controlada, 10 Km no máximo, Gutão foi na frente, no meu colo. A janela ia sempre aberta, menos na parte dos macacos. Aí, a gente deixava só dois dedinhos pra respirar. Eu achei que a hora dos macacos ia ser a mais divertida. De certa forma, foi. Eles ficavam fazendo acrobacias na nossa frente, chegavam a pular em alguns carros, mas não estavam muito animados pra ganhar amendoim, não. Compramos cinco saquinhos (que exagero, hein, Rô?!) e quem comeu boa parte deles foi Gutão!!!!! Pedia “mais, mamãe, mais” e devorava os amendoins. Os “bambis” comemoram na nossa mão, mas nem eles estavam, assim, tão empolgados com a oferta. Legal mesmo foi cruzar com as Lhamas. Uma delas, toda saidinha, enfiou a cabeça pra dentro do carro e nos deu um baita susto! Gutão adorou, claro. Fez carinho nela, deu tchau, uma graça. Também foi legal ver a zebra bem de pertinho. Que bicho lindo, incrível as listras. Gutão fez carinho nela também. Depois, vimos a girafa, outra maravilha da natureza, os patinhos, os cisnes, mais macacos, os leões, e, por fim, os incríveis tigres. O percurso levou uma hora e meia mais ou menos. No final, pausa pra fazer xixi (Gutão inaugurou nova modalidade na troca de fralda: em pé!) e comer pão de queijo pra dar uma segurada na fome.
Almoçamos com um casal de amigos num lugar lindo, uma antiga chácara que vendia plantas. Gutão viu mais bichos: tartarugas e peixinhos. Tava caindo de sono e, obviamente, não quis saber de comer. Ainda bem que tava com a barriga cheia de amendoim, meu macaquinho! Gostou mesmo é da colherada de doce de leite na sobremesa. Eu pegava um pouquinho só e ele dizia: “mais, mamãe, qué grande!”, hahahaahahaa. Chegamos em casa na hora da final da Copa. Claro que torcemos pra Itália (que bonito ver a comemoração da equipe no final e que vacilo do francês Zidane, perder a cabeça justo no último jogo da carreira…). Bom, Gutão capotou logo que o jogo começou. Acordou agora, quase sete da noite, super mal humorado (sempre que acorda à tarde é assim). Pra quebrar o gelo, eu e o Rô começamos a falar do zoológico, do passeio, dos bichinhos e ele lembrou do pavão e dos macacos pulando em cima dos carros. E olhou pra gente e soltou essa: “E o pelicano, mãe?”. (Pai e mãe que se preze sabe que pelicano só no desenho do Nemo). Eu posso com essas associações, hein?!









