Esperteza
Gutão segue nos surpreendendo, nos emocionando e nos fazendo rir.
Hoje, depois do almoço, saímos pra comprar um tênis novo pro figura (do número 23 passamos pro 25 — um pouco grande ainda, mas é o jeito de não perder os sapatos tão rapidamente). Aproveitei e comprei um carrinho pequeno, daqueles de corrida, que ele tanto gosta. Filhote capotou no carro e só viu o dito cujo em casa, algumas horas depois. Qual não foi nossa surpresa na hora em que ele ganhou o carro e disse: “É o Felipe Massa”. hahahahaahhahaa
Pela manhã, ele já havia nos brindado com uma ótima. O Rô estava se preparando pra levá-lo na pracinha. Eu preferi ficar em casa, dormindo mais um pouco. Daí, grito do quarto: “Rô, leva um suquinho pro Gutão”. E Gutão reforça, em sua versão: “Rô, papai, leva um suquinho pra MIM”. Demais, né?
Agora à noite, chuvarada e vento forte lá fora, nosso apê levemente gelado, e eu sugiro que Gutão coloque uma blusa mais quentinha. Ele aceita o moletom, mas, cinco minutos depois, pede pra tirar. “Mamãe, deixa eu tirar o casaco que eu tou tom calor”.
E tá uma educação só, esse menino. Pra tudo diz “Obrigada”. E a gente ensina: “Meninos dizem obrigado, filho”. E ele repete direitinho, todo cheio de si. E manda ver no por favor, dá licença, só um pouquinho. E tá numa fase super-hiper-mega sociável. Gutão sempre foi mais pro “dado” do que pro recatado, mas, depois da escola, essa característica está bem mais marcada. Bastou entrar no elevador pra ele perguntar: “Como é o seu nome?”, “Pra onde você vai?”, “Onde você trabalha?”.
E fala umas muito divertidas. Se eu falo qualquer coisa e pergunto se ele sabe, ele responde: “Eu sabo”. E diz que a porta tava “abrida”. E é só eu sugerir alguma coisa, que ele devolve na negativa. “Vamos fazer silêncio pra não incomodar o vizinho?”. “Não vamos fazer silêncio…”, ele diz. “É legal respeitar os outros pra gente ser respeitado igual”. “Não, não é legal respeitar os outros”. Eu morro de rir, e sigo repetindo meu mantra a respeito dos valores nos quais acreditamos aqui em casa. E Gutão, na prática, vai construindo o modelo dele. E a gente vai tendo muitas provas de que, certos ou errados, estamos num caminho do bem.
E deixa eu me orgulhar: Gutão é unamidade entre os vizinhos! O povo é fã do moleque. Tem vizinha, vovozinha, que compra carrinhos pra ele. Tem outra que pára pra dar beijo sempre que o vê. Outra ainda que cruza com a gente no elevador e sempre, sempre diz: “Esse menino é um doce”. Ele é mesmo. Meigo, querido, nosso companheiro de opinião forte e sorriso encantador.
PS: Segue o desfralde. Na escola, Gutão praticamente não tem feito na roupa. Tem usado o banheiro umas 3 vezes por dia. Pra fazer xixi, diga-se, igual o que temos conquistado em casa. Ele não pede, mas a gente leva e ele faz xixi bonitinho no pinico. E dá tchau pro dito, e dá descarga, e pede pra lavar a mãozinha. Agora, coco, bem, essa já é outra história. Só tem saído na cueca. E, esperto que é, Gutão agora pede pra colocar a fralda na hora em que, eu suponho, bate a vontade. E não há cristo que o convença a fazer diferente…Já conversei na escola e as professoras me disseram que é assim mesmo, que coco é mais “complicado”. Tou na boa. Sei que o aprendizado se dará no tempo certo, sem imposições, sem cobranças, com muito apoio e muita compreensão. Hoje comprei redutor de privada, pra ver se facilita o fazer coco no banheiro. Gutão viu e disse que é igual a privadinha da escola, que bonitinho. Quis sentar, fez xixi e ficou todo prosa. Já jantou e eu tou aqui, perguntando a cada 10 minutos, se já deu vontade de fazer coco. Filhote me olha, desconfiado, e diz: “Ainda não, mamãe”. Vejamos no que isso vai dar!






