Mudanças
Coisa bem boa: estamos mudando a sala de casa. Trocando alguns móveis, mudando outros de lugar, mexendo na decoração. Certamente vai servir pra renovar o astral. Nós e a casa merecemos. Os últimos tempos têm sido de uma certa tensão. Gutão adoentado, papai e mamãe esgotados. Um dá ataque de um lado, o outro devolve do outro. Filhote se esgana de tanto gritar na hora da troca da fralda, eu conto até 100 antes de reagir, mas o cansaço embaça minha visão da cena, sabe assim?
Meu corpo gritou no final da semana. Tive febrão duas noites seguidas. Há tempos não ficava assim. E hoje amanheci mal do estômago. Isso que dá engolir contrariedade. Eu realmente preciso aprender a ser mais assertiva. Por outro lado, preciso aprender a lidar com o conflito sem partir pro confronto, eu sei disso. Falando nisso, como é difícil ensinar a arte da “paciência” pras crianças. O tempo delas é agora, o mundo é já. O que fazer diante de um menininho-irritadinho-porque-o-bonequinho-não-pára-quietinho-no-banquinho-do-carrinho-de-controle-remoto-que-o-tio-Ale-deu-pra-ele? Explicar que tem que arrumar o boneco, não basta. Gutão franze a testa, cerra os dentes, e joga o carrinho longe. Diz que “qué quebrá”, vira uma fera, literalmente. Se duvidar, me empurra e me joga no chão também!!!
Mudei a tática pra lidar com esses ataques. Estou tentando gerar empatia. Primeiro, reconheço que ele ficou frustrado. Depois, pergunto se está com raiva. Sim, ele precisa saber que esse “vulcão” tem nome: chama-se raiva. Queima por dentro e, mesmo quando não partimos pra ação, nos mobiliza de um jeito impressionante. Depois, começo a dizer que entendo, que ele tem direito a se sentir assim, e que a gente pode tentar colocar o bendito boneco sentadinho outra vez. É só ter um pouquinho de paciência (como se eu fosse a pessoa mais paciente desse mundo e mais disposta a persistir seja lá no que for). Sou impaciente, sou birrenta, mudo de humor com uma facilidade assustadora até pra mim. Mas sou consciente disso. E quero ser melhor. Acho que isso, no final das contas, deve ajudar!
Desabafo posto, vamos às últimas: vovó Lilica e vovô Zeca estiveram com a gente no final de semana. Gutão amou (e nós também!). Fez tanta gracinha pros avós! Passeou de mãos dadas, mostrou todos os brinquedos, cantou todas as musiquinhas, fez todas as caras e bocas possíveis na hora de registrar esse amor em fotos. Aliás, como é expressivo esse meu filho, viu? Será que vai ser ator? Ele tem careta e entonação pra tudo, uma graça. Ou será que vai ser político (argh!)?? São dois palpites nesse sentido: um tio meu, meio bruxo, e o mapa astral que anuncia uma posição de poder no caminho dele. Tomara que Gutão seja feliz, isso, sim.









