Vou te contar uma coisa

Escrito por Ju em Blog | July 15, 2006 – 8:16 pm

Aos dois anos e quase 4 meses, Gutão anda mais falante que nunca. Elabora frases, dá opiniões, faz conexões — e piadinhas — impressionantes.
Hoje, sábado, o Rô foi cortar o cabelo logo cedo e levou filhote. Eu fiquei descansando em casa (este mês, tenho trabalhado demais e o cansaço físico está se sobrepondo a qualquer desejo de fazer qualquer coisa) e eles foram brincar na pracinha. Lá pelas 11h da manhã, chegam meus dois furacões. Fui abrir a porta e Gutão já estava berrando do lado de fora “Abre a porta, mamãe, abre”. Chegou todo feliz, contando que tinha guardado areia no bolso, e foi direto pegar o violão pra fazer um “show” pra mim. No final do espetáculo, pediu “bate palma, mamãe”. Bati, orgulhosa, claro. Aí, filhote, displicentemente deitado no sofá, olhou pra mim e disse: “Deixa eu te contar uma coisa, mamãe…”. E contou que tinha brincando com a Aninha na pracinha e que ela tinha consertado o pneu do caminhão dele e blá e blá e blá. O máximo, meu tagarela. Outra boa é que filhote não nega mesmo sua origem. Pudera, nasceu no coração de São Paulo, na avenida Paulista! Foi assim: deitado no chão, dia desses, falou pro Rô: “Então, papai…”. Começar a frase com “então” é muito paulista, meu! Hahhaahhahaa

Hoje foi dia de tomar a segunda dose da Hepatite A, atrasada em três meses. Levamos filhote no Fleury, que tem uma unidade infantil cheia de brinquedos legais pra entreter os pequenos antes dos exames. Gutão ficou encantado com os carrinhos, claro. Entrou em um azul, igual aos que tem na escola, e não queria sair por nada no mundo. Dizia assim pra gente: “Tchau, mamãe, vou trabalhar agora”. Pode? Aí, voltava pra perto da gente e dizia que já tinha trabalhado bastante. A hora da vacina foi meio estressante. Mais porque ele não queria ter largado os brinquedos do que pela picada em si. Eu avisei antes que ia doer um pouquinho no bumbum, igual a mordidinha de um mosquito (sempre que alguma coisa dói, ele diz que o mosquito mordeu, é a associação que ele faz), mas que era importante pra afastar o dodói da hepatite. Ele ganhou bichinhos da enfermeira e se comportou direitinho. Deu uma chorada básica, que passou em um segundo, e foi correndo de novo pra sala dos brinquedos. E quem disse que queria ir embora? Rolou um estresse na saída, com filhote vermelho, berrando, no colo do Rô e eu, cansada que estou, estressada com aquela tempestade em copo dágua. Ah, às vezes, eu não tenho paciência mesmo. Mas nem encano com isso. Sou gente e meu filho precisa “conviver” com essa realidade desde cedo!

E tem sido assim nossos dias, cheios de palavras. Gosto tanto dessa troca. Gosto de abraçar, beijar, dar risada e brincar com meu Gutão, mas ouvi-lo “verbalizar” suas descobertas e seus sentimentos realmente é algo que me emociona. É que ele é tão pequeno ainda, e já entende tanta coisa…Ontem à noite, antes de dormir, já sentadinho em sua cama, ele soltou: “A Bá ficou braba com o Eu”. Aí, eu perguntei o que tinha acontecido e ele continuou: “Jogou a comida no chão, depois subiu pra pegar a petita e a Bá ficou triste com o Eu”. Eu expliquei que não era legal derrubar comida no chão e que subir no móvel pra pegar a petita era perigoso, por isso a Bá ficou triste e falou pra ele que não era pra fazer essas coisas. Aí, ele já mudou de assunto e começou a dizer que queria ouvir a música do aniversário. É que desde que ele é bem pequenininho, o ritual de dormir inclui uma musiquinha suave. Há tempos o predileto era o CD do Palavra Cantada, o de cantigas de dormir. Recentemente, Gutão fez outra escolha e tem preferido as músicas de um CD feito especialmente pra ele, presente da vovó Lilica.

A primeira música, a tal que na cabeça dele, sabe Deus porquê, é a música do aniversário, é bem linda e suave mesmo. Me emociono toda vez que ouço. Diz assim:

“Quando você chegou, o mundo se animou.
Uma estrela acendeu pra ver um sorriso seu.
Abre os olhos, Augusto, e olha ao seu redor.
É o milagre da vida, ter você entre nós.
Feche os olhos, Augusto, nina junta ao meu coração.
Amanhã eu te acordo, meu anjo de pés no chão”

Falando em família, hoje pela manhã, antes da pracinha, o Rô tentando trocar a fralda e Gutão, p…da vida, querendo assistir ao Caillou, rolou estresse entre os dois. Aí, filhote veio no nosso quarto, e disse pra mim, vermelho de raiva: “Qué ir embola pra Floripa”. Eu posso com isso!!!!!! E tem lembrado dos avós, e nos emocionado por isso. Final de semana passado disse, mais de uma vez, que queria “visitar o vovô Zeca”. E toda vez que está no carro, “dirigindo”, diz que “chegou em Recife”. E hoje disse que queria “passear no carro do tio Bru”. Ah, não vejo a hora do final do ano chegar pra gente curtir essa nova fase dele, todos juntos. Aliás, final de semana que vem, tem churrasco e chimarrão em Porto Alegre pra comemorar o aniversário de 30 anos do Rô. Gutão vai se esbaldar, tenho certeza, e vai voltar ainda mais cheio de histórias pra contar.

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