Friaca

Escrito por em Blog | 31/07/2007 – 11:20 pm

Esses últimos dias gelaram a alma. Não me lembro de ter vivido um frio tão intenso desde que me mudei pra Sampa oito anos atrás. Os termômetros marcaram oito graus (ou menos!) à noite. Nossa casa, “fresca” por natureza, virou uma geladeira. E Gutão dormiu três noites seguidas entre nós, literalmente. Não tive coragem de deixar meu amadinho dormindo sozinho em seu quarto gelado (o aquecedor, com a porta aberta, é paliativo…). Como sei que ele se mexe pra caramba e não há truque de prender cobertor que dê jeito, preferi dormir torta e esmagada outra vez a senti-lo de orelhinhas geladas no meio da noite. O Rô concordou e nós fizemos nosso “ninho” quentinho com o cobertor de “vaca” (um peludão que o Rô me deu de aniver no ano passado) e a forcinha do novo aquecedor a óleo. Sim, compramos esse depois da roubada de comprar um elétrico pela internet, ou seja, sem testar, e ver o troço parecer um holofote de tanta luz ao ser ligado. Micão!

As aulas de segundo semestre do Gutão recomeçaram ontem, mas filhote ficou em casa. Ficou ontem e hoje, na verdade. Ah, não, mandar criança pra rua com esse frio de doer os ossos é covardia. Aos três anos, se não há motivo nem urgência, não há agenda que seja mais importante do que o aconchego da casa da gente, né? Gutão faltou ao primeiro dia de aula sem culpa, nem minha nem dele. Aliás, ele adorou. Recebeu encomenda da bivó Vandelina ao acordar na segunda: uma caixinha com um ratinho de brinquedo, desses que a gente puxa o rabo e ele sai andando pela casa, e uma escavadeira. Amou, lógico. Tanto que quebrou o rabo do rato meia hora depois! A bivó mandou os brinquedos com uma cartinha lindinha. Dizia estar com saudades e contava que o nome do ratinho era Ulisses. Gutão cismou. Disse que não gosta desse nome. E escolheu outro pra batizar o novo amigo: “Rói”. Bem apropriado! Depois dos presentes surpresa, filhote passou a manhã brincando na casa de um amiguinho do prédio, o Lucas, recém-chegado de viagem. E hoje foi o Lucas quem veio brincar aqui.

Fez tanto frio que, domingo, tivemos que ir no shopping de emergência pra comprar blusa de lã pro Gutão. Sorte é que a Chicco tava em promoção, tipo bota-fora de inverno, e eu achei o que procurava por um precinho camarada. Filhote perdeu muita roupa nos últimos meses. Usou bastante coisa tamanho 2, aproveitei até onde deu. Tem marcas, como Tyrol (que compro nas liquidações da vida), que usam modelagem grande e isso é ótimo, pois Gutão é um menino, digamos, “mignon”. Mas agora não tá dando. Filhote tá crescendo e o guarda-roupa precisa acompanhar. Amanhã, aliás, preciso passar na fábrica que vende os uniformes da escola pra encomendar TUDO novo: moletom, calça, camisa manga longa, camiseta, short…Tá tudo pequeno, coitado. Tou prevendo a facada, mas não tem o que fazer. Prefiro assim: uma escola com uniforme — melhor detoná-lo a usar as roupas “de casa” pra lambança.

Gutão já foi dormir. Tá debaixo do cobertor “de nuvem”, fofinho e azulzinho, e enroscadinho na Pig. (A velha, que, pra ‘não passar frio’ tá toda enrolada em uma camisetinha que era dele quando bebê. A nova, filhote renegou. Hahahaha.) Eu tou indo deitar em seguida. O Rô foi jogar bola. O frio, parece, tá amenizando. Continua gelado, mas a alma vai reaquecendo. Semana passada, tive dias péssimos no trabalho. Tudo acontecendo ao mesmo tempo agora. Essa semana começou com mais alguns sustos. Mas hoje retomei minha fé e meu foco. Tenho aprendido, na marra, a ser resiliente e estou tentando entender os recados cifrados que a vida me dá. E a lição número um é: tudo tem seu tempo.

Nesse exato momento, é hora de descansar. Como Gutão gosta de me dizer antes de fechar os olhinhos, “boa noitinha”.

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