História oral
Minha atividade mental é muito intensa; talvez por isso eu sinta tanta necessidade de escrever — e de falar. De botar pra fora, de verbalizar. Talvez por isso também goste tanto de ouvir Gutão se expressando, colocando seu pequeno mundo em ordem por meio das palavras. E ele tem falado cada coisa que nos deixa realmente de queixo caído. Vejam:
“Papai, o Dick (do filme Carros) é do bem? Por que?”
“As pessoas do bem se preocupam com os outros. As do mal só pensam nelas…”, elabora o Rô.
“Eu não me preocupo com as pessoas do mal!”, diz Gutão.
“Mamãe, esse prato é escorregadíssimo” (hahaahaaa, queria dizer “escorregadio”, talvez?)
“Mamãe, molhou”, diz filhote, preocupado com a provável bronca que ia levar por ter derrubado água no Futon e no chão.
“Filho, pega o pano de chão e seca”, digo, eu, desencanada (resolvi minimizar os momentos de conflito, sabe?).
“Mamãe, você é muito boazinha” (hahahahaahaha)
“Mamãe, se meu irmãozinho não nascer eu vou ficar muito triste” Gutão, ontem à noite, no meio de uma conversa sobre aumentar a família, nos dando a certeza de que está mesmo na hora de providenciar outro nenê pra essa casa!
E falando em elaborar, ontem, finalmente, comprei um livro infantil que estou “caçando” há meses: Mania de Explicação, de Adriana Falcão. Suuuper recomendo pra quem gosta da beleza das palavras. É a história de uma menina que gostava de encontrar uma explicação pra cada coisa. Entre outras frases lindas, tem uma que é de chorar: “Tristeza é uma mão gigante que aperta o nosso coração”. E essa aqui? “Raiva é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes”. Perfeito, né?






