O mundo do Gutão
Gutão fala. Muito. E brinca. Muito. E cria histórias com contextos bem reais. É a nave que vai pra “Marte”, é a moto que vai ultrapassar o sinal vermelho, é o bombeiro que vai salvar alguém. Não é dado a fantasiar por fantasiar, no sentido de criar histórias sem pé nem cabeça. As histórias dele têm “roteiro” bem construído, sabe? É curioso ver como a cabecinha dele funciona e é curioso também perceber que não há duas crianças (pra não dizer, duas pessoas) iguais no mundo. Tenho filhos de amigas que são o exato oposto do meu: o que curtem é criar histórias de cavaleiros, de castelos, de um mundo “paralelo”. Gutão, não. Gutão é real. Reproduz o mundo real em suas brincadeiras. E brinca muuuuuuuito. E gosta de brincar falando. Conta o que vai fazer, quem vai encontrar, reproduz sons, troca de voz pra dar vez a seus bonequinhos, enche a casa com seus sons. Eu fico lá na cama, em meus dez minutinhos diários a mais antes de levantar pela manhã, e só ouço Gutão matraqueando. É meu momentinho de paz diário. Dou risada sozinha e já acordo um tantinho mais feliz.
Gutão fala. E diz cada uma que nos arranca risadas. Deu de usar umas expressões mui engraçadas pra reforçar seus argumentos. Do tipo: “além disso”, “eu já disse que blablablá”, “escuta uma coisa” e por aí vai. Também tá com fixação pelos números. Já os reconhece e pergunta, a toda hora, quanto é dois mais quatro, ou três mais cinco. Não no sentido de soma. Quer saber qual é o número que dá quando juntamos “três e um” junto, sabe? E aprendeu a contar até 20 agora. Só que, toda vez, enfia um 40 depois do 12, não tem jeito! hahaaaaaaa
Filhote também tem oscilado em relação ao humor. Tem dias que assume que está com a pá virada e diz: “Acordei mal humorado hoje”. E aí, sai de perto porque o bichinho fica realmente um limãozinho de tão azedo. É coerente, esse meu filho. Diz o que sente e age de acordo com isso! Tem dias, por sua vez, que sai dizendo aos quatro ventos que acordou feliz. Aí, é aquela alegria. Um termômetro pra saber o quanto ele está bem ou mal humorado no dia é o tanto que ele fala quando ele acorda. Aliás, Gutão assumiu de vez que adora acordar cedo. Diz assim: “Eu adooooooro acordar cedíssimo”. Putz, é no superlativo!! Tou ferrada!
Falando sério, filhote tem uma energia impressionante. Seu novo slogan é: “Mamãe eu sou muito energioso”. Acho que herdou do pai, só pode ser. Eu sou preguiçosa (no bom sentido, vejam bem!) assumida. E sou vespertina. Adoro minha cama, adoro dormir, não sinto culpa alguma de passar 10 horas no meu cantinho quentinho e não sinto mesmo necessidade de estar em movimento o tempo inteiro. Minha maior necessidade e minha maior atividade não é física, é mental. Mentalmente, não páro um só minuto. Penso, repenso, reflito, analiso, racionalizo. Mas não sinto necessidade de fazer isso andando, por exemplo! Posso fazer isso tranquilamente esparramada na minha cama! hahahaahaaaa
Estou desenvolvendo uma nova tese a respeito das noites maldormidas do meu filho: Gutão, de tanta energia que tem, não dorme direito. Não desliga. Reproduz no sono o que vivenciou durante o dia. Ou o que não vivenciou. Pode ser prepotência de mãe, mas acho que sente minha falta, sim, durante o dia e que manifesta isso durante a noite…Conversei bastante com a minha querida Rê Quintella (via messenger, porque pessoalmente nossas “agendas” andam complicadas) sobre isso, o caos “noturno”. E ela me recomendou algumas ações que resolvi acatar. Anteontem dormi com filhote no quarto dele. Ele na cama dele, eu na bicama. Logicamente, Gutão amou a idéia. Tanto que não quis ficar na cama dele. Quis dormir “bem juntinho de você, mamãe”. Amei, claro. Mas isso significou uma noite do cão, porque filhote dorme se esticando todo, chutando o lençol, resmungando, pelamordedeus. Quanta agitação! A certa altura da madrugada, num momento em que ele abriu os olhinhos pra pedir não sei o que, eu avisei que ia pular pra cama dele porque, assim, nós dois iríamos dormir melhor. Ele abraçou a Pig e me deu um “boa noitinha” como quem diz “vai lá, mãe.”
Ontem, levei filhote pra trabalhar comigo. Passou umas três horas na Redação e virou o centro das atenções. Jogou bola, ganhou balinhas, desenhou, deu beijo nas meninas e etc etc. Pena que eu mesma não consegui dar tanta atenção pra ele. Essa foi uma semana de cão pra mim no trabalho e a sexta continuou trazendo problemas…Mas Gutão curtiu estar com os jornalistas. Trouxe ele pra casa na hora do almoço, comemos juntos e voltei pra trabalhar mais leve. À noite, foi a vez do Rô sugerir que Gutão dormisse comigo, só que na nossa queen size, hahhaaaaaaa. O Rô dormiu na cama do moleque e nós dois entramos debaixo das cobertas quase onze da noite (tem isso também, filhote não se entrega cedo, ai, ai, ai!). Filhote fez questão de dormir bem grudadinho em mim, dividindo travesseiro, e, mais uma vez, eu dormi tortinha da silva. Acordava a todo instante pra “desentortar” o moleque, tirar um pé que pressionava minha barriga, arrumar o lençol do figura…Mas valeu. Gutão acordou feliz. E vamos nessa, tentando de tudo um pouco pra ver se ele descobre que dormir é bom. O próximo passo é consultar o tal antroposófico ou um homeopata que receite um “equilibrador” das energias. Pra família.






