Gutão, meu filhão, lindão.
Ontem, dia 27, você completou uma mão cheia — cinco anos de vida. Que data bonita! Você passou a tarde comemorando, só que na festinha de outro aniversariante, um amiguinho da escola que cantou parabéns em um parque de diversões.
Fizemos festinha pra você à noite, depois que você e o papai foram buscar a mamãe no trabalho. Fazia tempo que você não ia e eu fiquei realmente feliz de te ver, feliz e falante, enchendo, com sua vozinha tão bonita e seus cabelos tão jeitoso, o andar inteiro de uma energia tão boa. E você se encantou com o cadeado que tranca um dos armários da minha sala. Um dia, ainda vou entender essa fixação em cadeados e códigos. Até a porta do seu quarto agora tem um código secreto –o aviso tá lá, um cartaz feito com a letra do papai e um desenho seu. Diz assim: “proibido entrar, fique longe”. Mas, generoso que você é, não passa de ameaça vazia. Volta e meia, você convoca alguém pra ir lá e “digitar” o código secreto que permite adentrar o teu pequeno paraíso.
Que delícia, meu filho, que é ser tua mãe. Tem gosto do bolo que você escolheu e saiu gritando, cedinho, pra Nalva não esquecer de fazer: cenoura com chocolate. Até o Vico, seu irmãozinho, não se aguentou na hora do parabéns. Sentadinho que estava ao lado da iguaria, tratou logo de enfiar a mãozinha na cobertura doce. Não lambeu os dedinhos por pouco. Você deu risada. Papai e mamãe também. Tio Bru fez as fotos. Coisa boa ter coisas boas pra lembrar depois.
Cinco anos de vida, meu Pirato, meu Baguigo, meu Lolô. Lembro de você, lá atrás, tão pequenininho. Depois tão sorridente. Tão falante. Sempre tão alegre. Tão cheio de energia, de histórias, de manias. Tão “tão”, meu Gutão.
Te amo, muito. Do tamanho do mundo (e o meu mundo é beeeeeem grande!). Amanhã, domingão, a gente vai comemorar com uma festa bem legal. E você vai, sim, saudar seus amiguinhos com a fantasia do Homem-Aranha. Assim é, meu super Gutão. Feliz aniversário.
Vico passou a semana beeeem melhor. Tosse ainda. Principalmente durante a noite. Mas é tosse normal, quase sem engasgo, sem sustos (se bem que cada vez que eu ouço meu bichinho tossindo meu coração ainda entra em pausa). Gutão teve dois dias de febre por causa da otite. Voltou pra escola só na sexta-feira. Ficou bem abatidinho, tadinho. Continua tomando antibiótico. Vai ser um ciclo mais longo dessa vez. Quatorze dias, uma judiação. Estou com o fone de um homeopata e um médico antroposófico na mão. Um dos dois tem que ajudar. Vai ajudar — é só marcar consulta primeiro! Afe, que durante a semana eu não ando tendo tempo pra nada, além de reuniões, muitas reuniões no trabalho…
Ando às voltas com “o tempo” novamente. Muitos questionamentos na cabeça. Depois de um mês sem final de semana, minha vontade de ver a rua (sim, eu preciso VER a rua) se avolumou. E veio o sábado chuvoso e eu só sai pra fazer a mão. Não quis a tradicional misturinha. Passei esmalte cor de canela, amei. Mas não deu pra passear. Não deu pra tomar o cafezinho na esquina…E eu fui dormir ontem com uma baita dor de cabeça e um enjôo que me acordou no domingão. Enxaqueca. Culpa do cachorro-quente que comi em casa ontem à noite, eu acho. Bateu mal.
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A boa notícia: Vico está melhorando. Mesmo. As tosses espaçaram. As crises de fôlego amenizaram. Nenê recuperou o apetite e o ânimo. Parece que aprendeu a lidar com o catarro que seu pequeno corpinho produz. Engole, com certa dificuldade, mas engole. Ainda fico tensa quando o vejo tossir, mas estou confiante que daqui pra frente só há de ficar cada vez melhor. Ufa.
A notícia ruim: Gutão caiu em febre ontem. Amanheceu com febrão, quase 39. Reclamou de dores nas pernas, nas costas, na cabeça. Tadinho. E lá fui eu, de novo, correndo pro hospital hoje pela manhã…
E o diagnóstico é…otite nos dois ouvidos! E lá vamos nós pra novo ciclo de antibiótico. E eu já marquei homeopata. Da semana que vem, não passa. Há de existir um jeito de reforçar a imunidade do meu filhote e amenizar esses ataques ao ponto fraco dele.
Hoje não trabalhei pela manhã. Almocei em casa. Dei muitos beijos nos dois, meu grandão e meu petetico. Amo tanto. Nem dá pra dizer o quanto.
E quando essa maré de dodói passar, eu vou querer comemorar muuuuuuito com os dois. No clube, na praia, no café na esquina, no lanchinho na padaria, na voltinha na livraria, no cachorro-quente com amigos e filhos de amigos em casa…Nessas coisas pequenas que preenchem nosso dia a dia e que a gente só sente falta (mesmo) quando não pode mais fazer.
Viquinho, querido,
já é dia 17. Meia hora além do dia em que você nasceu. Não deu pra mamãe deixar registro aqui antes. Hoje retomei o trabalho, depois de quase uma semana de “imersão” em casa pra cuidar de você. Muitas coisas me esperavam e a volta pra casa aconteceu mais tarde do que eu havia previsto. Cheguei quase nove da noite e encontrei você sentadinho no sofá da sala, todo faceiro, de camisa azul listrada e calça amarela, brincando com a vovó Lilica e seu irmão Gutão (de bochechas vermelhas por causa de uma febre súbita). Quando me viu, você abriu aquele bocão. O maior sorriso do mundo, eu tenho certeza!
Amo tanto essa sua alegria, meu filho. Renova minhas forças. E você quis vir pro meu colo loguinho. E veio, oferecendo os bracinhos, e mamou e brincou e se jogou pra trás pra ganhar cheirinho no cangote. Como aprende rápido essas gaiatices, mui divertido. E veio uma tosse chata pra estragar a farra. Você ficou brabo, sabe-se lá com o que, na hora em que a vovó se preparava pra trocar sua fralda. Ficou brabo, chorou, tossiu e quase perdeu o fôlego…Ai, que meu coração ficou apertadinho, filhinho. Quisera que esse dodói já tivesse ido embora…Tem nada, não. Vai passar assim: “passando”.
Hoje você fez sete meses. Já quase segura a mamadeira sozinho, olha só! Amanhã a “tia” da fisioterapia vem novamente. É cansativo, eu sei, mas é preciso. Há que cuidar do seu pulmãozinho. É hora de descansar agora. Você ressona ali, do ladinho do meu travesseiro. Vou dar beijinho na sua cabecinha loura, que ganhou muitos e novos cabelinhos no mês que passou. Que teu anjinho da guarda vele o teu sono e proteja o teu caminho. Hoje e sempre. Te amo.
Corremos pro hospital com Viquinho ontem à tarde novamente. A manhã havia sido tranquila, com episódios de tosse brandos. No almoço, fisioterapia e depois papinha salgada com muito gosto. À tarde, no entanto, um acesso terrível, de perder muuuito o fôlego…Vico ficou cinza no colo do Rô. Meu coração parou. Agonia, agonia. Manobra, massagem, e ele foi voltando aos poucos, chorando e brigando com o catarro. Liguei pra dra.Ketty aos prantos e a recomendação foi a de ir dar uma olhada nele no hospital. O melhor a fazer nessas horas. Dessa vez, resolvemos tentar outro. Em vez do São Camilo, partimos pro Samaritano, onde fomos muito bem atendidos. A médica nos ouviu com atenção e, a princípio, ficou intrigada: o estado geral do Vico é ótimo. Ele brinca, sorri, dá gritinhos. Perdeu peso, é evidente, mas não teve nem tem febre. E a médica olhava, olhava pro bichinho como se perguntasse “onde está o x da questão?”. Aí, veio a tosse, feia. Dois acessos no consultório. E ela entendeu o tamanho da nossa angústia na hora. E recomendou corticóide pra secar o catarro.
O grande problema agora é esse: Viquinho tosse e engasga na secreção, que é muita e, quando ele consegue “cuspir”, sai aos montes, quase um vômito no chão de onde ele estiver. Remédio mais forte, apenas cinco dias, e recomendação de torpedo de oxigênio em casa. Eu que levantei a bola, perguntei se era o caso, pra quando der essas crises em que ele fica cianótico e a gente não sabe muito bem o que fazer. Ela disse que sim, que era o caso agora de garantir que ele não sofra com essas “paradas”, por mínimas que sejam, de fluxo de oxigênio. E saímos do hospital com OK da dra.Ketty pra ambos os procedimentos, remédio novo e oxigênio em casa.
E a empresa entregou ontem à noite mesmo, um baita de um cilindro. Foi bom que tanto Vico quanto Gutão fizeram inalação “profissional”!! Tenho que ver pelo lado positivo da coisa, se não eu caio…Estou exausta e muito triste. Mas esperançosa e aceitando o tempo da doença. É um dia de cada vez agora, uma hora de cada vez, na verdade.
Vico teve novo acesso de tosse feio agora há pouco. A fisio está vindo pra cá. Talvez tenhamos que aspirar a secreção. A dúvida é se fazemos em casa ou se vamos pro hospital novamente. Tomara que não seja preciso. Seguimos rezando, cuidando, confiantes de que, demora, é chato, mas vai passar.