As pedras no caminho dele
As pedras no caminho do meu Gutão tem nome próprio. Ontem, antes de fechar os olhinhos e se entregar ao sono bom, filhote protestou.
“Mamãe, o dia hoje não foi legal”
“O que aconteceu, meu filho?”
E ele enumerou:
“Número um – o Rodrigo, do clube, me deu um beliscão. Número dois – o Marcelinho, do clube, me chamou de menininha. Número três – o Aisemberg, da escola, me provocou a manhã inteira”
É, o dia de uma criança também pode ser uma pedreira de vez em quando.
E eu fiquei ali, tentando manejar a raiva e a perplexidade do meu filho, sem saber muito bem o que dizer. Lembrei dos meus tempos de crianças e das inúmeras vezes em que não soube reagir a uma provocação — e do quanto isso me tirava do sério, me deixava triste, me fazia chorar. E aí tudo o que eu puder dizer pra ele é que é mesmo muito chato ter alguém provocando a gente. Dei um abraço apertado, um cheiro na cabeleira dele e, silenciosamente, rezei pro anjo da guarda proteger meu filho das pequenas chatices da vida. Proteger , não no sentido de poupar, que isso é impossível. Eu peço é no sentido de dar a ele condições de reagir, de manter a auto-estima, de preservar a fé (nele) e no outro. Tenho repetido pra ele: “o importante não é bater mais forte, é aprender a lidar com os golpes e continuar na luta”. O importante, eu aprendi à custa de muita porrada e muitas lágrimas, é ser resiliente. Conhecem essa palavra? (resiliência é um termo emprestado da física e tem a ver com a capacidade de resistir às pressões, de ir ao seu limite sem se “romper”). Fundamental passar essa lição adiante. Porque pedra, com nome ou sem nome, sempre há de existir no caminho.










Ju, Gutão é um cara cheio de “recursos”. A começar por sua impressionante capacidade de expressar-se. Isso é muito legal! Ajuda bem nessas situações, ele sabe colocar pra fora, tem mais chances de elaborar.
Quanto ao post anterior, foi uma delícia estar com vocês. Teus meninos estão tão lindos! Ando assim como tu, atolada de trabalho e morrendo de vontade de sair por aí sem preocupações….ainda bem que tem feriado!
Beijos
Ah Ju, é uma pena que os pequenos tenham que lidar com essas pedras tão cedo, né? A sensação que temos é querer poupá-los, mas ao mesmo tempo eles precisam aprender, né?
O melhor é isso mesmo, ensinar que nada se ganha com maldade e dar um abraço apertado
beijos pra vcs
Ai Jú… aqui em casa é a mesma coisa, o Pablo sempre fala: Mãe a Mirela belisca todo mundo! …Mão o Thomas quebra todos os brinquedos…. a segurança que tenho é que ele compartilha seus problemas comigo, e agradeço! Espero que possa sempre apoiá-lo!!!
Ô Ju, sinceramente eu gostaria mesmo é de poupá-los, pensando apenas com o coração, mas… , racionalmente, o seu post diz tudo.
beijos no Gutão e que essas pedrinhas no seu caminho sirvam para ele construa um lindo castelo!
É ruim mesmo quando nos frustramos com as dificuldades que nossos filhos enfrentam, Ju. Às vezes, diante de tantas aparentes “injustiças” (um colega me bateu, o outro pegou meu brinquedo, o outro disse uma coisa feia), me dá vontade de dizer ao Rafael que faça igual ou pior… Mas me controlo. Se eu fizesse isso, ele seria apenas mais um desse mundão de pessoas insensíveis que vemos por aí, quando, com toda a minha dedicação e amor, dou a ele uma criação para que seja do bem, para que seja “diferente”, para que enxergue além do que está do lado de fora. Nessas horas também rezo para o anjo da guarda dele, pedindo exatamente a mesma coisa que você escreveu.
Perfeito seria se todas as mães tivessem essa consciência no trato com seus pequenos.
E adoro a palavra resiliência!
bjs
Oi Ju
Acredito que todas as mães gostariam de poupar o máximo seus filhos dessas pedras da vida, mas não podemos, pois eles precisam crescer e saber se defender!
E o pobre coração de mãe sofre… a questão é como ensinar um filho a ver sempre um lado bom das coisas, a ser resiliente(como vc mesma disse) ?
Difícil… a minha forma é tentar dar muito carinho e mostrar sempre presente, talvez não tentando justificar muito as pedras e sim mostrar que além da pedra eles tem um lugarzinho bem gostoso, com pessoas que os amam e sempre vão estar ao lado dele que é a família!
E a vida continua…
Ah…hj Vico está fazendo 8 meses! Parabéns!!!!
Minha Isadora fez ontem 8 meses…beijão grande…Lu.
Isso acontece na vidinha dos nossos pequenos sim.
E a gente fica sem ação.
Que vontade de ter uma varinha mágica e não deixar que nada nem ninguém faça nossos bichinhos sofrerem.
bjim
Xiii, Ju, Aisenberg? Juro que não foi o Rafinha! ehehehhe
Até agora Rafa não chegou em casa com essas reclamações, não, mas já vou me preparar…
Ju, adorei suas palavras.
Vou guardar e lembrar sempre.
QUero e preciso aprender a ser resiliente.
Beijos
Oi, fiquei sem fôlego.
Lindo. Torço pra ter a mesma inspiração quando chegar meu momento.
Beijo,
M
Ju, recentemente o João Pedro comentou sobre as “tarefas” da yoga kids. Há a construção de muros e pontes. Ele ainda citou “mamãe, pontes são quando fazemos amizades, e, vamos trabalhando com o amigo”. Os muros, nem preciso dizer, né?
O Santo Anjo sempre iluminará Gutão.
E, falando em coisas boas, desejo-lhe no dia 19 e sempre ,muitas alegrias ao lado dos meninos. Feliz bodas!
Beijos!!!
Ju
Sempre escrevendo bonito… mesmo que o cansaço esteja grande.
A vida nos testa, em grau maior ou menor, inclusive quando testa nossos filhos em coisas tão pequenas… sempre me lembro de uma frase dita pela mãe do Cazuza: “Gostaria de te colocar de volta dentro da minha barriga” (ou algo semelhante) – veja o que é o amor materno e o instinto, tão forte e dominante, de proteção à cria.
Mas da mesma forma que eles encontraram provas pelo caminho, encontrarão a felicidade que só eles poderão viver. Se sempre estiverem dentro de nossa barriga, esta felicidade talvez não os encontre.
Que emocionante ver uma mãe criando os filhos para o mundo com tanto amor.
Resiliente. Adorei.
Beijos
Ale
Nessas horas eu fico pensando como a mãe é sempre o nosso porto seguro, né? E mesmo a gente talvez não sendo 100%, digo, nós também temos nossos limites, talvez ainda tenhamos tanto a aprender. Temos ainda assim o papel de orientar, confortar e ensinar nossos pequenos nessa jornada da vida.