Toureando irmãos
O sábado foi esquisito: ventou, choveu, ficou cinza, abafado. Daí, parou de ventar, saiu um solzinho tímido e nós fomos pra rua. Eu, Gutão, Vicolito e vovó Lilica. Filhote grande tomou sorvete de sobremesa na Stuzzi (gelateria italiana que eu super recomendo). Vico distribuiu simpatia e mordiscou o picolé amargo de doer, sabor limão siciliano, do irmão. Fez careta, mas pediu bis. E provou água de “bolinha”. E gostou. Figura. E depois do sorvetinho, fomos ao super, comprar frutas e verduras. E o resto da tarde foi em casa, com Gutão protestando que não tinha amigo pra brincar com ele e que isso, no final de semana, não é justo. Tsc, tsc.
O domingo amanheceu frio. Todo mundo de manga comprida em casa. Uma doideira. Morar no 16°, sem nenhum prédio na frente, dá nisso. Ventania terrível, sensação térmica sempre mais fria do que na rua. O plano era ir ao clube, mas acabamos ficando em casa. E Gutão arranjou um amigo pra brincar no meio da manhã, o Lucas, filho dos meus amigos Beta e Teco, que agora moram no mesmo prédio que a gente. E Viquinho tirou soneca da manhã esparramado na minha cama. Vidão que pediu a Deus.
Aliás, por recomendação da pediatra e intuição minha, vamos trocar o berço por uma caminha baixa pra ensinar esse mocinho a voltar a dormir sozinho. Essa brincadeira de chorar no meio da madruga e ser carregado pra nossa cama não dá mais. Funcionou, e bem, durante a crise de tosse, mas agora, graças!, Vico tá melhor e precisa retomar seu soninho independente. A pediatra acha que o moço, além das lembranças que sobraram do episódio engasgo e tosse, bom, ela acha que ele pode se sentir preso no berço. Sim, com Gutão foi a meeeesma coisa. Filhote saiu do berço antes dos dois anos porque acordava chorando “enroscado” nas grades.
Voltando ao domingão, o resto do dia teve muita bagunça do caçula e alguma ira do mais velho. Estamos na fase de “tourear” essa briga. Gutão ama Viquinho. Nenhuma dúvida sobre isso. Hoje até me pediu mais um irmão! Dá beijo, abraço, corre pra brincar, faz gracinha pro caçula sorrir. Mas…Viquinho tá na fase de mexer em TUDO. Mexe, a gente diz não, e ele nem aí. Nem aí. Vai lá e faz de novo, rindo. E faz uma, duas, quatro, dez, trinta vezes e não atende ao nosso não de jeito nenhum. Prevejo um certo trabalhinho pela frente na educação desse moço charmoso e teimoso!
Pois bem. Gutão fica brabo, principalmente quando Vico desliga o receiver da TV justo na hora em que ele tá vendo desenho. Não tiro a razão dele, não. O lance é que o mais velho vem com tudo pra cima do pequeno. Antes, eram apertões. Passamos pela fase do petelequinho. E agora chegamos ao tapa. Tapão nas costas. Ontem e hoje. E bronca, e castigo. E muita conversa pra sair do pufe depois. Sempre digo que entendo a raiva dele, mas que não é na base da porrada que ele vai ensinar ao irmão o que é certo. Só vai ensinar o que é errado (coisa, aliás, Viquinho já aprendeu: quando fica muito brabo, bate na gente que é uma beleza). E peço pra Gutão se colocar no lugar do menor e me dizer como é que ele se sentiria se um grandão viesse e desse um tapão nele. Hoje ele me disse que se sentiria triste e brabo. Fez bico e ensaiou chorar…Aí, eu expliquei que era assim que o Vico se sentia. Enfim, aquela ladainha didática que eu acho obrigação de todo pai e mãe que querem ajudar na construção de uma relação saudável entre os filhos (e deles com outras crianças e outras pessoas).
Eu penso muito nisso, sabe. Nessa relação primeira de confiança, de ciúme, de afeto, de raiva, que é a relação entre irmãos. E tento me colocar sempre no lugar de um, o que bateu, e de outro, o que apanhou. E ensinar isso a meus filhos: a se colocar no lugar dos outros, antes de agir, antes de falar, antes de atropelar. Ou mesmo que seja depois. Mas que isso seja feito e que, diante de uma briga ou de algo feito sem querer, mas que magoo alguém, venha um pedido de desculpas, uma demonstração de arrependimento, um carinho reparador. Eu quero contribuir para que eles aprendam a sentir suas emoções livremente, mas que possam entender a dos outros e torço, muito, para que meus filhos cresçam fortes EMOCIONALMENTE e que não protestem contra uma verdade absoluta: a gente bem gostaria, mas o mundo não é o umbigo deles. Nem de um, nem de outro. Não tenho dúvida: o estímulo pra uma convivência saudável do lado de fora começa dentro de casa.







Oi Ju…
Lá em casa também estamos tendo problemas nesse sentido, Arthur faz barreiras para a Isadora não chegar perto das brincadeiras dele. As vezes protejo ele, pois acho que ele ainda precisa ter o espaço dele, com as brincadeiras dele…Mas, também acho que as vezes tem que ter o espaço de irmãos, para brincarem juntos e aprenderem a conviver com as diferenças. E esses pequeninhos estão ficando mais espertos do que nunca…a arte de educar é algo que temos que moldar aos poucos e aprendendo com os nossos erros.Beijão, Lu.
Oi Ju, vc sempre escrevendo de uma maneira tão especial o dia-dia dos filhotes.
Vou colocar o Tiago na caminha tb, pois adora ir p/ o nosso quarto… já comecei o treino.
Bjos .
Ai Ju, não consegui conter o riso quando imaginei a cara do Vico desligando o receiver da TV e o Gutão “P” da vida. E é assim mesmo, acho q essa relação de irmãos constrói ainda mais a personalidade de cada um, passam a entender que o espaço é coletivo e cada um tem que respeitar o outro. Muito importante isso. Aqui em casa fico louca da vida quando as mais velhas judiam da pequena. Mas várias vezes fui injusta, escutei a nenê chorando e já fui tirar satisfações com as irmãs, as acusando de terem feito a pequena chorar. E, algumas vezes, elas estavam apenas dizendo para ela não fazer isso ou aquilo, como eu faria…Ou seja, nós, pais e mães, também precisamos nos policiar para sermos justos. Depois coloca fotos deles juntos pra gente ver!! beijão
Oi Ju:
Quanto tempo, menina! Mas eu sempre estou aqui, lendo as suas historias, que é sempre tao parecida as nossas…
É assim mesmo…criança precisa aprender a conviver…imagina nós os adultos, que a pesar de toda a experiencia de vida, ainda temos liçoes reprovadas nesse aspecto…de saber respeitar, aceitar, tolerar, etc e etc…
E olha que criança é mais nobre que a gente, né?
Ah…eu vi voce na Globo Internacional…em um programa interesante…fiquei toda feliz…nossa, mas estava tao bonita, falou con inteligencia,uma graça… Olha, realmente muto legal mesmo!!!
Um abraço.
E agora os dois foram parar no castigo! 5 minutos para o Gutão e 1 para o Vico (hahaha). Ele entendeu bem o que era e chorou até não poder mais, de protesto. Foi apresentado ao castigo. O motivo: briga e birra. Um com o outro. Um pouquinho de disciplina na fórmula!!