Crescer faz parte, mas (às vezes) dói
E Gutão me disse ontem à noite, entre uma escovada nos dentes e uma pausa pra esfregar os olhinhos vermelhos de sono: “Eu tou me sentindo muito sozinho na escola nova”.
Putz, de ouvir isso, quase chorei.
Passou filminho na minha cabeça (minhas primeiras vezes na escola, o medo de ficar sozinha, o medo de não fazer amigos, o medo, o medo, o medo…) e eu me vi ali pequeninha naquele sentimento triste, igual ele. Engoli o choro, abracei meu filho e falei pra ele que é assim mesmo, que tudo o que a gente faz pela primeira vez dá um pouco essa sensação, de solidão, de desconhecimento, de insegurança. Claro que falei disso de um jeito que ele pudesse entender, não exatamente com essas palavras difíceis. Contei pra ele que mudei de escola quatro vezes desde que comecei a estudar. A pior mudança foi quando sai da escola vizinha de casa, onde fiquei até a quarta série e onde atualmente estuda a Bruninha, minha sobrinha, e fui para um colégio enorme, no centro da cidade, quase uma hora de carro do bairro onde eu morava, zona sul de Recife. O primeiro dia no Salesiano foi de espanto: tantas crianças, tanta disciplina, tantos professores novos. Antes, a relação era com as “tias”, as salas eram menores, a turma era a mesma que começou no pré. Enfim. Mudar e crescer, às vezes, dói.
Fiquei triste por sentir Gutão assim, tristinho. Mas fiquei feliz por ver que ele confia em mim e que não tem medo de colocar em palavras, faladas, o que aperta o seu coraçãozinho. Filhote foi deitar e continuou me explicando por que estava se sentindo meio triste na nova escola. É que até agora só fez três amigos, sendo dois vizinhos do prédio e um que ele não consegue lembrar o nome. Aí, eu comecei a lembrar do que ele tinha comentado comigo e que mostravam que há coisas boas na escola nova também: a biblioteca que tem uma prateleira só com livros do Asterix (ele até já retirou um e levou pra gente ler historinhas antes de dormir!); a novidade de ir e voltar de perua com o amigo do prédio; o “tio” barbudo e gente boa que divide os cuidados da turma com a professora e por aí fomos seguindo. E ele foi relaxando e falando de coisas legais também. E aí eu disse pra ele que não era só ele que devia estar se sentindo meio deslocado nesse começo. Que outras crianças também eram novatas e que também deviam estar querendo fazer novos amigos. E que seria bacana se ele tentasse se aproximar delas. E lembrei pra ele que foi assim na escola anterior, e olha que ele tinha só dois aninhos! Aí, pronto, quando eu disse que ele já tinha passado por essa experiência e tinha dado tudo certo, ele dormiu.
Te amo, meu Gutão.
Muito, muito, muito.










Difícil esse comecinho. O bom é saber que tudo isso passa e que um dia ele vai estar contando tudo isso pro filho dele. Beijos, Bru
Ô meu Pai Eterno, é mesmo de cortar o coração.
Ju, vc comentou com a professora? Digo isso porque as vezes ela não percebeu e sabendo pode facilitar a vidinha dele.
Para nós (professoras) essa fase de adaptação também é bem complexa. Mas com a tua ajuda com certeza isso tudo passará rapidinho.
Beijocas
Ai que dor no coração… eu sofri muito com isso quando era pequena, quando estava chegando perto da escola eu já começava chorar, passava o período todo chorando e só parava quando minha mãe ia me buscar. Quando fui pra faculdade senti um aperto no coração mas não chorei…. o meu filho é totalmente diferente, desde o prezinho foi numa boa, nunca chorou, depois foi pra uma escola maior e fica numa boa!!! Graças a Deus!!!
Boa sorte com o Gutão e fala pra ele que vai dar tudo certo!!!!
Ô judiação Jú, é de partir o coração imaginar a carinha triste dele. Mas faz parte da vida, do crescer, né? Sabe que a escola das meninas troca as crianças a cada ano de turma. Dizem que é pra aprender a socializar com todos os alunos. E as meninas nem ligaram, disseram que já conheciam os novos amigos de outras oficinas. Logo logo Gutão já estará cheio de novos amigos, tenho certeza. Boa sorte aí na adaptação. Beijo grande
Ai, Ju…..dá vontade de dar um abraço no Gutão. Que bom que ele tem essa mãezona por perto que sempre sabe dizer as palavras certas. Mas que não é fácil, não é. Por aqui, minha vontade é desistir em plena adaptação e voltar correndo pra escola pequena que eles tanto amavam e eu também…..
Sem dar palpite como uma boa canceriana, e às vezes também não ser correspondida nas amizades, como Gutão, e, ser criança não é nada fácil também, eu conversaria com a Coordenação Pedagógica, pois no fundinho muitas coisas vão passando e, não podemos deixar isto passar. Lá na frente que não está muito longe, a coisa bate, então … vai sentir o que você sentiu, o que eu sinto hoje da minha infância, do colégio rígido, professores que nos fizeram crescer mas que também passaram . Como educadora eu conversaria na escola num bate papo bem aberto, bem legal, sincero.
Ju, de coração, mesmo você não sendo minha amiga próxima (distância).
Beijos …
Anjinho da Guarda iluminai Gutão com seus amiguinhos e muitos que virão.
Ô Ju
corta meu coração. mas faz parte do crescimento de todos nós as tais mudanças, sair da zona de conforto é um saco mesmo, no início, pelo menos. Tom mudou de escola este ano tb, e apesar de ter se adaptado super bem, afinal Lavínia já havia estudado no mesmo local, dia desses eu perguntei se ele estava se divertindo muito com os novos amiguinhos e a resposta foi “sim, estou me divertindo muito, sozinho”! Faz parte do início, depois com o tempo (sempre ele) tudo se encaixa. Tomara!!!
beijo bem especial para Gutão
Ju, li teu relato em lágrimas. A distância tem sido cruel. Nestas horas, fico muito triste em não poder acompanhar o crescimento dos guris e estar mais presente na vida de vcs.
um carinhoso e saudoso beijo.
ai ju, estou com esse mesmo problema. troquei o gui de escola e ele está sentindo falta dos amigos da outra escola. também não quer fazer as lições, diz que tem vergonha. ele foi para o 1º ano, agora tem mais lições, tudo está mais difícil.
morro de pena, espero que essa fase passe logo.
um beijo e boa sorte por aí
cintia
Que dó, né Ju… Porque eles tão pequenos, estão começando a formar suas referências, e o novo é sempre um mistério mesmo. Eu era assim. Morria de medo de mudar. Mas a gente cresce, aprende. Eu aprendi, você aprendeu, e o Gutão vai aprender tb.