De alegrias e folias
O segundo dia de aula na escola nova foi bem tranquilo pra Gutão, aleluia. Filhote saiu pra brincar numa boa antes da campainha soar e chamar todos à sala. Eu esperei na cantina, que a fase ainda é de adaptação e estar por perto, mesmo estando longe dos olhos, é importante nesse começo, né? Gutão veio até a cantina cerca de meia hora depois da nossa chegada. Me deu beijo, tomou um golinho de coca gelada, nos despedimos e ele saiu, sorrindo, pra encontrar os novos amiguinhos. O Rô foi buscá-lo na hora da saída. Mas, com a chuva, atrasou. E Gutão sentiu, e chorou, com medo de ter sido esquecido, tadinho.
O terceiro dia de aula trouxe uma novidade extra: a primeira vez do Gutão na perua. Escolhemos para fazer um teste a mesma em que vai o coleguinha de turma e ele, embora tenha resistido na hora de descer, acabou adorando a experiência. O grande medo dele era o tio errar o endereço na volta e deixá-lo em uma casa que não era a dele. Faz sentido. Conversamos, contei que já tinha passado o endereço certinho e que não tinha como o tio-motorista errar, pois já fazia o mesmo caminho pra pegar e trazer de volta o Teodoro. Foi legal não ter dado muita bola ao chororô. Gutão acabou indo com dois amigos na perua: além do vizinho, o filho de um casal amigo nosso, o Inácio. Voltou pra casa tãooo feliz, dizendo que amanhã, segunda, quer repetir. Vamos ver como é que fica ($$$).
E o final de semana trouxe folia pra família. Ontem fomos à exposição sobre Chico Science, no Itaú Cultural. Foi muito bacana recordar um passado que vivenciei de perto, os primeiros shows de Chico, o surgimento do Mangue Beat. O lugar tá meio apertado pra ir com criança, mas foi muito divertido tirar fotos logo no início da instalação. Fizeram um estúdio ambulante, do tipo do que costumava ter no carnaval de Olinda, e nós nos paramentamos à la Chico: óculos e colares coloridos, chapéu de palha na cabeça. Tirei uma foto com o Rô — e Viquinho roubou sorrisos fazendo pose sozinho. Só Gutão resistiu à idéia. Pena. Em breve, as fotos vão estar disponíveis no site do instituto e daí eu coloco aqui.
Hoje foi dia de folia em praça próxima de onde moramos. Almoçamos em um reduto de pernambucanos (e eu me senti MUITO em Recife, aquela confusão, cerveja gelada, gente “colorida” por perto) e saímos à rua, com Gutão fantasiado de Power Rongers e um calor do cão. A música era boa, sambinha e marchinhas das antigas. Vimos gente fantasiada, muita criança curtindo, galera jovem na azaração típica de Momo, astral maravilhoso. Vicolito colocou colar de havaiano e deu showzinho, dançando, sorrindo, correndo. Gutão preferiu correr na praça e não deu muita bola pro carnaval, não. Mui curiosa essa diferença de personalidades que se revela tão cedo e tão naturalmente, aliás. Vico gosta de estar no meio da confusão. Gutão prefere fugir dela. E olha que os dois são seres bem sociáveis, mas cada um com em uma intensidade diferente.
Eu sai da folia feliz. Descobri que Sampa, quando a chuva não estraga, também nos permite farrinhas de rua que lembram o melhor do carnaval na terrinha.







Juju querida. Você vai passar o carnaval em Sampa mesmo? Eu acho que vou passar uns dois dias aí com minha trupe.
Se você não for viajar, que tal programarmos para nos conhecermos?
Beijos.