Entre tapas e beijos

Escrito por Ju em Eu, Gutão, Vico, familia | February 28, 2010 – 11:55 pm

Relação de irmãos é uma coisa complexa. Não há dúvidas de que a chegada do Vicente alegrou o coração do Augusto. Viquinho foi um bebê muito desejado e bem recebido em seus primeiros momentos no mundo. Gutão, desde a gravidez, sempre demonstrou muito amor pelo irmãozinho que ia “ganhar” e, quando ele saiu do barrigão, virou alvo de beijos, cuidados, proteção.

O lance é que o bebezinho que só “mamava, fazia xixi e coco, e chorava” agora sorri pra tudo e todos, faz muita gracinha, corre, grita — e incomoda. Sim, incomoda que nenê é muito bonitinho, mas quando cisma de atrapalhar a brincadeira do irmão mais velho (com ou sem consciência disso) fica chato. E Gutão anda sem paciência. E aí, já viu: sobra tapinha, empurrãozinho, provocaçãozinha. Tudo assim, meio de levinho, porque filho grande sabe que fazer isso não é legal. Reagir fisicamente pra proteger o território é bacana quando o adversário tem a mesma idade, o mesmo tamanho. O lance é que Vicolito é, de fato, pequeno, né?

O engraçado é que Gutão dá os chiliques, grita com o pequeno, empurra, faz ele chorar, mas o louro não é daqueles que se inibe fácil, não. Quando fica realmente puto com o irmão mais velho ”ataca”: sai mordendo. Me dá vontade de rir, sério, mas eu vou lá e aparto o perrengue, dando bronca nos dois, que se atracar não é coisa legal, vamo combinar.

Ontem, depois de váaaaarias cenas de provocação ao contrário, Gutão enchendo o patová do Vico, coloquei mais velho de castigo. Cinco minutos pra pensar, no quarto. Quando deu o tempo de sair, fui lá conversar com ele, de novo e numa boa, sobre esse comportamento. Que eu sei que o Vico, às vezes, enche o saco dele, que atrapalha a brincadeira e tal e coisa, mas que ele precisa lembrar que o pequeno não faz por mal (ainda). Que, na maioria das vezes, o que ele quer mesmo é ficar perto do irmão, quer fazer igual o irmão. E Gutão disse que sabia, mas que o Vico tinha quebrado um brinquedo dele em Floripa (putz, no Ano Novo e ele ainda lembra e reclama!!!) e que não sei mais o quê. E aí eu só pedi pra ele pensar o seguinte: pra ele imaginar uma criança mais velha que toda hora em que ele passa junto dá tapinha, empurra, provoca. Pedi pra ele imaginar isso e pensar como ele ia se sentir nessa situação…Ele me disse que ia ficar muito chateado. E eu disse que era assim que o Vico devia se sentir também.

Enfim, há que se dialogar sobre essas coisas e ir ajudando esses irmãos a construir um caminho “pacífico” à medida em que vão crescendo. Há que se ensinar limites, pro grande e pro pequeno também, que sair mordendo os outros é legítimo como último recurso de defesa, mas não é um ato legal, vai! Dói pacas. E há que se dar muita risada do Gutão quando chega visita em casa. A primeira coisa que ele faz é ir correndo abraçar e dar beijinho no Vico — que reclama, lógico, de tanto que o maior o aperta.

Irmãos. Que bom que são dois aqui em casa.

9 Responses to “Entre tapas e beijos”

  1. Elianinhaon 01 Mar 2010 at 1:21 pm

    Ahahahahaha, já dá pra imaginar 3 irmãos?, rs.
    Ju, parabéns, você mais parece uma pedagoga, psicóloga, além do que a excelente jornalista que é.
    Super beijos, sucesso.

  2. reon 01 Mar 2010 at 3:30 pm

    Ju, ontem peguei o Theo mandando o Levi embora dessa casa. Ele falava baixinho: Vai embora daqui, anda.

    Achei engraçado. Esses irmãos…

    Beijos

  3. Flavia Bernardoon 01 Mar 2010 at 3:44 pm

    Amo a forma como vc lida com esses grandes pequenos problemas dos meninos. E eu sigo aprendendo daqui como se faz…rs…

  4. rosa monicaon 01 Mar 2010 at 3:49 pm

    Ju vou aprendendo c/ vc já penso no próximo.
    Bjos.

  5. Amanda & Meninason 01 Mar 2010 at 4:56 pm

    Que bom que são dois mesmo hein Ju. Cheguei a uma conclusão de que crianças com irmãos são mais preparadas para aguentar o tranco das “gozações” na escola, coisa que Bellinha começou a ter agora, na 3ª série. E faz parte mesmo essa disputa, que será eterna, mas futuramente por outros motivos. Aqui em casa bebezinha reina absloluta, na TV, nos brinquedos. Se uma das irmãs sai na frente é gritaria e mordidas pra todo lado….tá conquistando o espaço que sobrou…beijos e boa semana.

  6. Anaon 01 Mar 2010 at 5:07 pm

    Aqui rola mordida também. Eu morro de rir! Mas a Laura provoca. O engraçado aqui em casa é que quando a Laura acaba machucando Alice sem querer, ela chora demais, a Laura. Fica culpada, tadinha. Eu acho tão bonitinho. Tem vezes que é de propósito, mas é de leve, ainda assim ela chora. E aí a pequena chora junto, de ver a irmã chorar. Bjs.

  7. Rachel Campelloon 01 Mar 2010 at 5:34 pm

    Ju, quando Teca tinha dois anos, Lara me perguntou: Mamãe, quando ela volta para a casa dela? Demos risada, mas aquilo foi só o começo da luta, que continua até hoje. Lara não perdoa! E Teca, assim como o Vico, é cheia de charme, o que incomoda pra caramba, né? Se vc descobrir uma saída, me ligue imediatamente. Bjs.

  8. Patriciaon 02 Mar 2010 at 3:13 pm

    O bom, passa…. os meus 2 meninos agora estao nos mesmo nivel de brincadeiras e sao super companheiros. Logico que as vezes eles brigam mas a minha resposta eh ’se nao tem sangue eu nao quero saber, se resolvam!’ rsrsrs e funciona! xx

  9. Lucianeon 03 Mar 2010 at 11:11 am

    Ai Ju…são umas figurinhas…mas eu gostaria de ter esse espírito que você tem para lidar com esses perrengues.
    Outro dia eu tentando ajudar o Arthur com os temas de casa e a Isa só querendo o “mamo”… tirando a concentração dele…até que ele saiu com essa:
    - A onde desliga essa menina?!?
    Tive que rir…mas é por ai… o bom é saber que não é só na tua casa que isso acontece! Beijos Lu.

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