Hoje eu engoli um sapão
Talvez seja a relação mais delicada que se inicia quando a gente resolve ter um filho — e quer continuar trabalhando, e tem um trabalho que é “flexível”, em que dá pra entrar mais tarde, mas que nem sempre permite estar em casa às seis da tarde, e não tem vó (no meu caso, vós) por perto pra dar aquela forcinha de buscar na escola ou olhar a criançada no final do dia. Tou falando da relação com a babá.
Relação importante, complexa, e dolorida. Nem posso reclamar muito, porque a primeira babá da nossa vida é nota mil. Uma pessoa a quem agradeço pela dedicação, a quem admiro, uma mulher de fibra, que já passou por poucas e boas na vida, mas é super comprometida com a alegria, com o trabalho e com a vontade de ser melhor, de criar filhas em uma condição melhor do que a que teve, enfim. Essa é a babá que cuidou do Augusto quando pequenino e que hoje continua com a gente fazendo de tudo um pouco: lava, cozinha, arruma a casa e divide os cuidados com os dois — sempre sorrindo, sempre cantando; firme quando precisa, responsável totalmente. Nela, eu confio. Com ela, eu praticamente não me estresso (e se estresso, relevo sem dramas).
O lance é que, desde que entrou aqui em casa, essa babá já teve duas filhas (já tinha uma menina maior, hoje mocinha, e tem uma de três e outra que fez, ou vai fazer, não lembro, dois). E, por causa disso, o horário dela que, antes, acompanhava o meu (ou seja, era bem flexível), passou a ser mais limitado. Ela entra cedíssimo, sete horas, mas vai embora no máximo às três da tarde. Precisa pegar filha na creche e cuidar da família também. Respeito e entendo. E fui atrás de ter uma pessoa pra dormir em casa basicamente pra manter o emprego dela, porque já a considero meio que parte da família, sabe assim? Estamos na terceira babá que dorme, coisa que inauguramos quando Gutão já tinha aí seus três aninhos (a primeira, inexperiente e sem noção, entre outras coisas, não cuidava muito da higiene pessoal e deu trauma de chuveirão no Augusto; a segunda, era total picareta: dizia que ia estudar enquanto ia bater perna na Paulista!). E essa terceira babá é uma relação de amor e ódio daquelas intensas…
Minha vontade, quase que diária, é dizer umas poucas e boas. Mas eu respiro fundo, engulo um monte, e reproduzo apenas mentalmente o tanto de coisas que eu gostaria de falar pra ela mudar. Acontece que não sei se vai surtir muito efeito falar um monte e fico em dúvidas se não vai ser pior pra relação dela com meus filhos. Ela não é das que ajuda a educar, não é 100% focada em garantir diversão pra eles, não se preocupa em ser pró-ativa, não tem ânimo pra inventar coisas interessantes (ai, ai, a babá nº1 sempre teve e continua tendo…). Mas ela não judia deles. Do jeito dela, ela cuida, segue as regras da casa, dá carinho e é confiável, o que me deixa relativamente tranquila pra trabalhar até a hora em que preciso. E eu não quero entrar numas de discutir a relação e ter alguém com raiva em casa, tratando mal às crianças, descontando em quem não merece…Se ela fosse uma pessoa mais madura, talvez rolasse uma conversa “adulta”. Não, ela não é novinha. Já é vó!!!! E isso me deixa ainda mais indignada: o fato de, em tese, ser uma pessoa “experiente” (pra ver que idade não é documento meeeeesmo!).
Bom, resolvi que vou chamar uma conversa com as duas. Juntas. Pra passar novas orientações pra casa e pro cuidado com os meninos. Vai valer mais, loooogicamente, pra que dorme do que pra original, mas acho que é uma boa saída pra não melindrar a dita cuja mais melindrável. Haja paciência, Senhor. Haja paciência.
Cheguei do trabalho hoje com uma baita dor de cabeça, já nove da noite. A que dorme só abriu a porta, deu boa noite e…pronto. Largou o serviço do ponto em que estava: Vico perambulando pela sala com fralda de xixi e Gutão, acordadíssimo, vendo TV no meu quarto. Não deu nem tempo pra que eu lavasse a mão ou trocasse de roupa! Ódiooooooooo. E enquanto eu fazia toda função botar-criança-na-cama, indignada, ela preparava um chá (pra ela) na cozinha. Nem tchuns. Foi do fogão pro quarto, porta fechada. Bom, meninos dormiram, cheguei na sala e vi que a bagunça reinava. DVDs desarrumados, manta do sofá desmantelada, revistas embaralhadas, roupa do Vico espalhada em cima da mesinha de canto…Respira fundo, respira fundo, Juliana. Arrumei tudo. Jantei. Ódiooooooooooo. Vontade de chamar e soltar os cachorros. Mas eu PRECISO dessa pessoa. E isso me limita horrores.
Dilema terrível de ser mãe e trabalhar fora, porque a gente PRECISA de estrutura em casa pra ficar tranquila no trabalho! E, não, eu não cogito largar meu trabalho, que é parte do que me realiza na vida. E, não, no meu caso, colocar em tempo integral numa escolinha não resolve a questão, porque eu não consigo sair do trabalho às seis da tarde todo dia pra começar o segundo turno em casa mais cedo, como quem tem um trabalho convencional. Portanto, eu PRECISO engolir esse tipo de sapo de babá preguiçosa-descarada-inacreditavelmente folgada. Porque isso é ser muito folgada, né? Eu acho surreal ter que falar essas coisas que são premissa de alguém que trabalha direito: “minha filha, antes de dormir, arrume o que os meninos desarrumaram ao longo do dia”. E ainda ter que falar pedindo, sorrindo, ”gentilmente”, que babá “melindrosa”, diante de cara feia, faz beicinho — e eu, sem vó/tia/família disponível por perto, não posso me dar ao luxo de ficar sem alguém que durma (e que cuide bem dos meninos, o mais importante) antes de ter outra pessoa em vista. Haja paciência, Senhor. Haja.
Escrever é minha válvula de escape. Obrigada pelos “ouvidos”, gente. Depois eu conto o desfecho do papo.
E que Deus salve as boas patroas!!!!! Porque as babás, essas que tem a sorte de cair em uma casa como a minha (em que não são tratadas como escravas, são tratadas como gente: com respeito e com carinho igual ao que queremos que tenham com nossos meninos), essas preservam o sono dos justos depois de um dia “intenso” de trabalho.







Oh, Ju. Entendo perfeitamente seu desabafo.
É complicado demais depender das pessoas. Fica assim não, amanhã você terá novas ideias para resolver esse problemas. Mas olha, acho bem produtivo dar uns toques numa conversa com as duas. A sua babá oficial pode ser seu grande ponto de apoio em um possível momento de “beicinhos”.
Força aí, garota!
Beijocas
Ops… esse problemA… rs… essa hora da noite/madrugada já estou acrescentando S onde não tem… rs… Beijocas
Por experiência na minha casa, muitos funcionários qdo damos a mão eles querem o corpo inteiro. Não sabem aproveitar o serviço e o bom patrão que possui, faz corpo mole. Sorte ainda ela não estar faltando alegando doença e chegando com atestado de 1 semana!
Conversa, tenta vê se melhor. Você precisa dela mas ela precisa entender que precisa de você também!
Boa sorte.
Beijos!!!!!
Oi Ju! sempre leio seu blog. E estou passando o mesmo que vc! e pior pra mim é que nem desabafar no blog eu posso porque a menina é entendida de orkuts e tais rs. Eu também não tenho familiares por perto pra dar aquela força. Trabalho o dia inteiro, apesar de quase sempre chegar em casa no mesmo horário, mas a gente tem que ter uma pessoa pra ficar com as crianças até a gente chegar né. Complicado demais essa relação com babá. A que tá lá em casa é até boazinha, mas tem preguiça de brincar, e tb deixa os dvds fora das caixas. Quando chego os meninos estão bitolados na tv! dá uma raiiiva!
Bom, quem achar o enigma primeiro avisa tá!
Bjs e boa sorte!
Em alguns trechos parecia que eu estava lendo um relato de um dia aqui em casa. Olha, Ju, a gente sempre fez questão de tratar muito bem, respeito acima de tudo, qualquer pessoa que trabalhe conosco. Infelizmente, poucas pessoas reconhecem isso. Sem falar que é uma situação delicada, já que também envolve as crianças. Espero que a conversa com as duas juntas surta efeito. Boa sorte!
Bjs
Ai, Ju… Que situação, heim?
Aqui em casa, tenho a sorte de ter uma babá muito boa, e uma cozinheira 10!
Celina e Matheus adoram as duas.
Mas o que é melhor mesmo, é que quem tem as conversas desagradáveis aqui em casa é o Marcelo.
Ele é super prático, fala o que precisa na lata, e ninguém estressa com ele.
Eu não sei falar, não sei mandar…
E outra coisa: quase sempre consigo sair do meu trabalho as 5:00, então fica tudo mais sossegado.
Bem, espero que as coisas melhorem por aí.
Beijos.
Andrea
Puxa Ju…muito chato isso, ser mãe e profissional, não é algo muito fácil.
Lá em casa fiz uma lista e coloquei na parede sobre as responsabilidades de cada um e no final, foquei na organização da casa e guardar os brinquedos deixei como responsabilidade das crianças e da tata assim ambos criam o hábito de guardar os brinquedos e deixar a casa organizada antes que a mamãe chegue.
Espero que a conversa seja produtiva…muito mantra pra essa hora!
Beijos Lu.
Ju, dificil hein? Respire fundo e peça o que precisa ser feito. Muitas vibrações positivas para você , os meninos e estas relações… Agora, que no minímo ela tinha que entregar o menino trocadinho, limpinho… isso tinha. Que a sua conversa de conduza para o melhor caminho e hábitos para todos. Abraços. Luciana
Ju, mesma coisa por aqui.
Na verdade, pior. Estou totalmente sem babá. Num troca-troca de dar agonia. Larinha tem 4 anos e já vou na décima. Segunda-feira passada, a última me ligou e disse que por motivos pessoais não ficaria mais lá em casa. Eu perguntei até quando ela ficaria e ela disse que estava com as malas prontas: “espero você chegar, e vou”. As meninas em férias e eu no fechamento… Pode?
Boa sorte pra nós todas rs
beijo
Ju, viramos reféns dos empregados. A nossa necessidade é um trunfo para eles. Tem sido muito difícil encontrar alguém com responsabilidade e compromisso. Minha família tem tido problemas em encontrar alguém que cuide da bisa da Nina de 106 anos. E eu já desisti da babá.
Espero que você encontre uma solução, mas torço mais ainda para que você encontre outra pessoa.
Beijos!
Ah, Ju, esse papo é sempre recorrente, né? Eu me lembro bem dos meus anos de lamentações com a santa Beth, que nos deixava à beira de ataques de nervos e, ao mesmo tempo, era parte da família.
Felizmente minha vida mudou quando as crianças foram para o integral e coloquei uma faxineira 3 vezes na semana que dorme duas. Pronto! Tudo resolvido. Essa convivência diária e´realmente muito desgastante.
Mas a boa notícia é que Vico tá crescendo, daqui a pouco vai pra escola e muito em breve essa relação vai deixando de ser necessária nesse nível. Quando ele tiver 3 anos a vida muda totalmente, vida sem bebezinho em casa é muito mais fácil. Aí você coloca os dois no integral, deixa a Márcia em cuidando da casa e arruma alguém só pra pegá-los na escola no fim do dia e ficar até o dia seguinte de manhã.
Com babá menos é mais, né?
Respira fundo que tá quase lá!
bjs
Ju,
Gostei do post. Realmente, ser mae e profissional nao e tarefa facil.
Nao concordo apenas qdo algumas pessoas dizem que “empregados” deveriam colocar as maos pro ceu e agradecer por terem patroes que os tratam “como gente”. Como assim? A regra seria entao a de que empregados deveriam necessariamente ser tratados com falta de respeito, e sortudos sao aqueles que nao sao? Mas nao partimos da premissa de que devemos tratar bem e ter respeito por qualquer pessoa, independente dela ser o seu chefe, seu empregado, seu advogado, um parente, um vizinho e etc? Tratar as pessoas com respeito e uma obrigacao e nao um favor.
Espero que sua conversa com as babas seja produtiva. Se vc for aberta a sugestoes, ai vai uma: criar uma lista de deveres na casa, e incluir as criancas na arrumacao dos brinquedos.
Um abraco,
Marcia
Meninas, obrigada pelas palavras e sugestões! Vou contando mais dessa relação ao longo dos posts. Bjos
Ai, Ju, ninguém merece, viu… É muito ruim mesmo ter que precisar de alguém pra manter os horários e a ordem na casa. Mas respira fundo aí, tenta a conversa com as duas mesmo e vê se resolve.
Ju, como diz minha sogra : é um mal necessário, infelizmente.
Assim como vc ñ tenho família na cidade que moro e tb tô nesta barca furada!!!
Bjs.
Tanto tempo que eu não te visitava…
Bom ter notícia de vocês.
Eu agora evito as conversas ao vivo.
Digito imprimo a folha e fixo na geladeira!
Assim consigo escrever palavras doces quando no fundo quero mandar para bem longe.
Um beijo,
Elayne