Primeiras vezes
“Tenha confiança. Conte com as circunstâncias, que também são fadas. Conte mais com o imprevisto. O imprevisto é uma espécie de deus avulso” (Machado de Assis)
Foi hoje o primeiro dia de aula do Gutão na escola nova. E em turno novo. Mudou pra tarde, a pedidos. Tem vizinho do prédio na mesma turma. E nós ficamos com um pouco de dó de acordá-lo antes das sete pra cumprir o horário de chegada da manhã, que é às 7h20 da matina.
Mudou tudo: Gutão saiu de uma escolinha, assim mesmo, “inha”. Era uma casinha pequenina, pensada para dar segurança e autonomia para as crianças que lá estudam. Quando Gutão entrou, ele era um bebezão de dois anos. Cheio de cachos, pernas grossas, caiu no colo da tia Carla e se deu muito bem. Não teve muito choro, nem muita crise de adaptação. Curtiu muito o parque com sua incrível areia azul. Lembro como se fosse ontem…
Hoje chegamos na nova escola com Gutão falante e animado. Não demonstrou nervosismo ao longo desses dias de férias e nem no caminho até lá, no carro. Estava, sim, na expectativa de encontrar o amiguinho do prédio, agora colega de turma. Chegamos com um calor absurdo em Sampa. Muitas crianças, novatas, no “brinquedão”, uma casinha com areia instalada na frente das salas dos menores. Gutão foi recepcionado pelo auxiliar da professora da classe dele, o Lucas, que o ajudou a achar sua turma (agora ele é um mocinho do primeiro ano, que coisa!). Pedagogo, gente boa. Foi ele quem mostrou pra filhote o lugar de deixar a mochila pra brincar, antes do chamado da professora pra ir pra sala de aula.
A escola nova é bem maior que a primeira escola. E Gutão só “realizou” essa diferença hoje. Logo na entrada, mãos dadas comigo, me disse: “Tá bom, eu detesto dizer isso, mas eu acho que eu gostava mais da XXXX” . Fiquei com um aperto no coração…Mudar não é fácil, por mais sociável e animada que a criança seja, né? Eu tenho muito cuidado com essas primeiras vezes, porque, pra mim, sempre foram momentos muito marcantes e, em geral, difíceis. Fui uma criança mais pra tímida que pra extrovertida, mais pra observadora do que pra centro das atenções. E “estrear” em lugares novos, com pessoas novas ao redor, sempre foi uma tortura. Hoje, adulta, lido melhor com isso porque reconheço o receio que sinto, respiro fundo e vou em frente. Lá atrás, era complicado: eu chegava a passar mal fisicamente e não me lembro de muita conversa com meus pais, professores, amigos sobre o que estava sentindo, não…
Bom, Gutão nos solicitou um pouco antes de subir para a sua nova sala e encontrar sua nova turma (são 19 crianças e dois professores, a oficial e o auxiliar, ambos pedagogos experientes). A sala dele é ampla, iluminada, e a professora dispôs as carteiras em “u”. Foi muito gentil na recepção a Gutão: ofereceu lugar ao lado do amiguinho do prédio, que ele, prontamente, aceitou. Nós demos tchau com vontade de ficar ali, na janela da sala, dando força pra ele…A professora resolveu o dilema: disse pra Gutão que a gente ia lá pra baixo e, antes de ir embora, a gente mandava um bilhetinho pra ele. Descemos. Comi uma esfiha de frango e aprovei o lanche da cantina. Compramos uniforme, embora não seja exigência da escola. O combinado com Gutão é que uma vez por semana, quando ele tiver vontade, ele pode ir com roupa “normal”. Uma vez por semana também, ele vai levar um dinheirinho e escolher o lanche na cantina (a partir das opções que combinarmos com as donas). Pequena autonomia, pequenas decisões. Pra ele ir se sentindo “dono” da nova situação.
Passou uma meia hora. Gutão chorou em sala, não sei direito por quê. O auxiliar desceu com ele pra nos procurar. Antes de chegar à cantina, pararam pra tomar água no bebedor e pra receber conforto da coordenadora, muito simpática. Gutão nos viu e veio correndo, pedindo pra gente ficar na sala com ele. Explicamos que não era assim, conversamos, demos abraço, acalentamos. Filhote parou de chorar e aceitou voltar pra sala de aula. Era hora de escolher o escaninho onde vai deixar guardado o material escolar durante o ano inteiro.
No final do dia, liguei pra casa pra saber das impressões do primeiro dia na escola nova. Perguntei se ele tinha gostado. E ele disse, voz animada: “Foi bom”.
Pra mim, foi o máximo, meu filho.
Você está crescendo e sentir medo é mais normal do que você imagina (embora tenha muita gente finja que não sente nada). Papai e mamãe têm muito orgulho de você que, mesmo inseguro, mesmo estranhando, arrisca confiar. Na gente, no outro, no desenrolar da vida. Que seja sempre assim. Sinta tudo o que tem direito e bote pra fora tudo o que achar que precisa, mas não deixe nada te paralisar. Vá em frente no seu aprendizado. Na escola e fora dela. Seja muito feliz, meu filho.







Parabéns pro meu querido afilhado corajoso! A Dinda tem certeza de que serás MUITO feliz na nova escola!
Bjs emocionados,
Acho super bacana essa transição, esse crescimento maravilhoso dos nossos filhos! Parabéns pro Gutão pela nova escola!! E que esse ano seja maravilhoso e cheio de descobertas e conquistas!
Beijos,
Fabi
Ju, por razões óbvias estou mais emotiva. Mas seu relato do primeiro dia de aula do Gutão fez lágrimas pularem. Como nosso coração fica apertado nesses momentos! Estou passando por situação parecida. As meninas agora estão em unidades diferentes da mesma escola e a Estela, que sempre foi tão pra frente e extrovertida, caiu em silêncio com saudades da Lara. Eu tento não demonstrar, mas tenho vontade de arrancá-la da escola e deixá-la aqui na firma, ao meu lado. rsss Beijos e boa sorte para o Gutão. Ele vai tirar mais esse desafio de letra. Rachel
Chorei, Ju. Meu Deus, o Werneck é que tem razão quando diz (bem lembrado pela Anne ontem) que filho só melhora com o tempo. Caramba!
Beijo,
M
p.s.: Rachel, e essa coisa de mais emotiva, me conta, é o que eu tô pensando?
Vc está certa em tudo o q disse, Ju. E o Gutão segue sempre confiante pq tem pais maravilhosos, sempre presentes. É tão interessante essa ligação, né? Hj, a chuva chegou cedo aqui na minha região, me deu um aperto no coração por ainda não ser o horário de pegar o Sandinho na escola. Não consegui esperar a chuva passar, qdo deu o horário de buscá-lo, sai mesmo com muita chuva. Eu queria ver o meu filho. Sabe estas coisas q mães sentem? Pois é! Qdo estávamos voltando pra casa ele me contou q chorou qdo começou a chuva, pois ficou com medo de não conseguir voltar pra casa e não me ver mais. Em casa dei um abraço tão apertado no meu menino. Muito bom saber q estamos sempre “conectados”. Não entendo como existem mães q não amam os filhos…
Oi Ju….
Vc e a Mic me surpreendem com esse talento de jornalistas-psicologas!
Vcx sao maravilhosas!
Amo ir nos blogs! E me emociono muito qndo leio q relatam sobre suas crianças!
Eu fecho os olhos e vejo o Gutao indo correndo para os braços da “mainha”!
Muito lindo e q psicologia de ensinar um filho e mais q tudo educar um filho!
E como disse a Jucilene ai em cima como pode existir nesse mundo maes q nao amam seus filhos? Q abortam sem controle, ou q jogam fora em lixeiras e rios!
Eu nao sou mae! Mas lendo seu relato de hoje me senti um pouco “mae” do Augusto.
E daqui um tempo vai ser o Vicente com a mochilinha nas costas e indo de maos dadas com o irmao mais velho pra escola!
Muitas felicidades nesse 2010 e muitas aventuras e alegrias para o Gutao na nova escola!
Beijos
Eminha
Bom dia, Ju,
Acompanhei seus comentários no Twitter e vim aqui para saber como o Gutão encarou a mudança.
Eu me sentia exatamente como você quando era pequena (ou grandinha), nos primeiros anos escolares. Lembro muito bem da minha angústia e também procuro ajudar o Rafa com os medos dele por meio de muita conversa. Aqui, a frase “Eu também me sentia assim, por isso entendo você” é caminho certo para o início da calma.
Tão bom ter do nosso lado alguém que nos entende, não é?
Que este ano seja repleto de aprendizados e alegrias para o Gutão
Beijos
O primeiro dia de aula, ainda mais quando é escola nova, vem recheado de dúvidas, anseios, expectativa. Isso pra uma criança é muita coisa, muita informação.
Que bom que vcs souberam lidar muito bem com toda essa novidade pro Gutão.
E que ele tenha dias muito felizes e cheios de aprendizado na nova escola, com novos amigos.
bjs
Flavia.
Ju, ele é um menino 10.
Jú, que maravilha essas transfprmações de nossos filhos não?
Gabriel estranhou o primeiro dia, e na mesma escola, mais mudar sempre causa um desconforto não é?
Gutão, vá em frente, seja como sua mãe, corajosa…
Recife arde no clima de carnaval e vcs estão animados?
bjs