Nós dois
O Rô viajou ontem. Foi pra Londres (a trabalho — e com uma lista enooorme de “mimos” do freeshop pra me trazer!). Praticamente um bate-e-volta. Volta na quarta. Antes de viajar, ainda deu tempo de irmos almoçar com o Ale e a Evelyn, e o querido Enrico, a Patty e o Julio, e o Pedroca, a Dani e o Duda (sem o Miguel e a Nina, que ficaram em casa dormindo) e a Tita. Foi um almoço gostoso, embora Gutão não tenha se concentrado na comida. Também, com o lindo dia de sol e o adorável jardim do restaurante, ele tinha razão pra ficar perambulando.
O dia deles
Gutão e o Rô comemoraram o dia dos pais ontem, sabadão de sol em Sampa. Junto com a turminha da escola, fizeram um passeio ciclístico no parque Villa-Lobos. Filhote levou sua bicicleta amarela (a “moto”, na versão dele) e o Rô alugou uma bike por lá. Seguiram com a criançada e seus respectivos pais por toda a volta do parque. E Gutão pedalando sem parar. Diz o Rô que o menino “puxou” a corrida, sempre à frente, sempre acelerado. Enquanto eles se divertiam a dois, eu aproveitei pra procurar um presente pro Rô. Foi uma lembrancinha –utilíssima!– este ano: uma caneca pra tomar café. Acompanhada de um cartãozinho “escrito” pelo Gutão (que escreveu, na língua dele: “a corrida foi demais, papai”). Também aproveitei pra passar na liquidação da Santa Paciência (rua Girassol, Vila Madalena) e renovar as camisetas do Gutão. Saí de lá com várias, lindas, descoladas, tamanho 4 e por 60% do preço original! Minha manhã terminou no salão: pé e mão pra me sentir cuidando minimamente desse corpinho.
Figuraça
Ontem à noite, eu e o Rô jantando na mesa da cozinha e filhote por ali, fazendo das suas pra chamar atenção. Até que o Rô pede pra ele me contar o que tava fazendo na escola quando o papai deu tchau. Dá a dica do Carrossel e pede pra filhote falar disso. E Gutão manda, todo faceiro: “Não era carrossel, papai. Era uma nave com uma roda beeem grande”. E solta uma risada. E manda outra: “Entendeu a piada, papai?”. E gargalha de olhos fechados! Figuraça!!!
Friaca
Esses últimos dias gelaram a alma. Não me lembro de ter vivido um frio tão intenso desde que me mudei pra Sampa oito anos atrás. Os termômetros marcaram oito graus (ou menos!) à noite. Nossa casa, “fresca” por natureza, virou uma geladeira. E Gutão dormiu três noites seguidas entre nós, literalmente. Não tive coragem de deixar meu amadinho dormindo sozinho em seu quarto gelado (o aquecedor, com a porta aberta, é paliativo…). Como sei que ele se mexe pra caramba e não há truque de prender cobertor que dê jeito, preferi dormir torta e esmagada outra vez a senti-lo de orelhinhas geladas no meio da noite. O Rô concordou e nós fizemos nosso “ninho” quentinho com o cobertor de “vaca” (um peludão que o Rô me deu de aniver no ano passado) e a forcinha do novo aquecedor a óleo. Sim, compramos esse depois da roubada de comprar um elétrico pela internet, ou seja, sem testar, e ver o troço parecer um holofote de tanta luz ao ser ligado. Micão!
O mundo do Gutão
Gutão fala. Muito. E brinca. Muito. E cria histórias com contextos bem reais. É a nave que vai pra “Marte”, é a moto que vai ultrapassar o sinal vermelho, é o bombeiro que vai salvar alguém. Não é dado a fantasiar por fantasiar, no sentido de criar histórias sem pé nem cabeça. As histórias dele têm “roteiro” bem construído, sabe? É curioso ver como a cabecinha dele funciona e é curioso também perceber que não há duas crianças (pra não dizer, duas pessoas) iguais no mundo. Tenho filhos de amigas que são o exato oposto do meu: o que curtem é criar histórias de cavaleiros, de castelos, de um mundo “paralelo”. Gutão, não. Gutão é real. Reproduz o mundo real em suas brincadeiras. E brinca muuuuuuuito. E gosta de brincar falando. Conta o que vai fazer, quem vai encontrar, reproduz sons, troca de voz pra dar vez a seus bonequinhos, enche a casa com seus sons. Eu fico lá na cama, em meus dez minutinhos diários a mais antes de levantar pela manhã, e só ouço Gutão matraqueando. É meu momentinho de paz diário. Dou risada sozinha e já acordo um tantinho mais feliz.
Aprendizado
Gutão, finalmente, está aprendendo a aceitar a hora de dormir. Desde que voltamos de Recife, tenho procurado baixar a “adrenalina” da casa por volta das 20h. E vai dando 21h, eu pergunto: “Que horas é hora de dormir, filho?” E Gutão diz: “Nove da noite, mãe”. E desliga a TV, e pega a Pig, e aceita trocar o pijama, e toma o remedinho balinha (pra rinite), e põe sorine no nariz e fala, fala, fala, já deitado em sua caminha, ainda resistindo um tantinho a se entregar de vez a Morfeu. Dia desses, ritual finalizado, Gutão me olha e pergunta, em sua última tentativa de continuar acordado: “O que falta agora, mamãe?”.
Esperteza
Gutão segue nos surpreendendo, nos emocionando e nos fazendo rir.
Hoje, depois do almoço, saímos pra comprar um tênis novo pro figura (do número 23 passamos pro 25 — um pouco grande ainda, mas é o jeito de não perder os sapatos tão rapidamente). Aproveitei e comprei um carrinho pequeno, daqueles de corrida, que ele tanto gosta. Filhote capotou no carro e só viu o dito cujo em casa, algumas horas depois. Qual não foi nossa surpresa na hora em que ele ganhou o carro e disse: “É o Felipe Massa”. hahahahaahhahaa
Atualizando
Pois bem, voltamos. Férias rápidas, necessárias, deliciosas. Depois dos pitis dos primeiros dias em Recife, Gutão se comportou muito bem. Curtiu os avós, os amiguinhos, as primas. Comeu muitas frutas, correu bastante, andou de bate-bate no parquinho do shopping, experimentou ficar de pé no chão o tempo todo (o chão aqui de casa é geladérrimo, ele só vive de pantufas…). Na hora de voltar Sampa, até ensaiou um “não quero ir embola de Recife”. Lindo.
Piadista
Sexta-feira, hora de dormir. Papai, mamãe e filhote cumprindo o ritual de boa noite. Xixi no pinico, pijama novo do ursinho, abraço na Pig e Gutão já capotado no travesseiro. Mamãe, então, pede um beijo e baixa a bochecha pra receber um carinho. Ganha uma mordidinha. Fica braba e recrimina o menino, que muda de assunto e diz que não quer pedir “despuca”. Mamãe insiste e diz que não é legal morder. E filhote segue mudando de assunto.
Causos
Ontem, depois da soneca da tarde, da qual filhote sempre acorda mal humorado, veio o queixume. Gutão chorou e chorou e chorou. E disse que tava com dor de garganta. E eu e o Rô nem hesitamos: demos um banho quentinho no guri, leitinho pra encher a pança e fomos pro Sabará, investigar as “dores”. Gutão ainda tá fazendo tratamento pra conter a rinite e cuidar das sequelas das otites e, qualquer sinal de congestão e tal e coisa, já nos preocupa. Dessa vez, no entanto, graças a Deus, é só um resfriado mais forte. Eu e ele estamos assim, garganta coçando, tosse seca, nariz escorrendo, um saco. Ele olha pra mim e diz: “tou resfriado”. E eu digo de volta: “eu também, filho”. Aí, ele devolve: “eu também, mãe”.









